"Extraordinário" arranca lágrimas com retrato delicado de melancolia da infância

"Extraordinário", baseado no best-seller de R. J. Palacio, dirigido por Stephen Chbosky ("As vantagens de ser invisível") e com participação da brasileira Sonia Braga, pode ser definido como um drama sentimentalóide com todos os elementos estrategicamente combinados para fazer o público chorar, mas, entre uma lágrima e outra, há uma narrativa sensível sobre a doçura e a melancolia da infância.

"Extraordinário", baseado no best-seller de R. J. Palacio, dirigido por Stephen Chbosky ("As vantagens de ser invisível") e com participação da brasileira Sonia Braga, pode ser definido como um drama sentimentalóide com todos os elementos estrategicamente combinados para fazer o público chorar, mas, entre uma lágrima e outra, há uma narrativa sensível sobre a doçura e a melancolia da infância.

Jacob Tremblay, que conquistou o mundo como protagonista de "O Quarto de Jack" (2015), volta como o igualmente adorável Auggie, um garotinho fã de "Star Wars" e com uma malformação congênita na face.

Ele já passou por 27 cirurgias, mas treme mesmo quando precisa enfrentar o primeiro dia em uma escola, com outras crianças de sua idade. Até então, era educado em casa pela mãe, Isabel (Julia Roberts).

A trama acompanha a adaptação do menino à nova rotina e, como é de se esperar, fala sobre bullying. Alguns clichês da discussão até são deixados para trás, com um retrato sem piedade de Auggie. O bom desempenho de Tremblay também ajuda a aproximar o menino de qualquer criança da vida real.

Mas o longa recebeu críticas legítimas por retratar o personagem como alguém "inspirador" apenas por ser diferente da maioria, além de escolher um ator sem qualquer deformidade para o papel. A insistência do roteiro em emocionar também incomoda.

A trajetória de Auggie é o eixo central da história. Mas um dos trunfos do filme - ainda mais explorado no livro - é dar atenção às pessoas ao seu redor, para mostrar que todo mundo tem problemas, grandes ou pequenos. E que esses problemas causam ainda mais sofrimento na infância e adolescência.

Há, por exemplo, o drama de Olivia (Izabela Vidovic, muito bem no papel), irmã solitária do protagonista, que sempre perdeu para ele a atenção dos pais.

 

Jack Will (Noah Jupe), primeiro amigo que Auggie faz na escola, rende algumas das cenas mais divertidas - e não se engane, você também vai chorar nos momentos engraçados.