"Viva - A vida é uma festa" ajudará a enfrentar "mentiras" ditas sobre mexicanos, diz o ator Gael Ga

Quando a Pixar decidiu que “Viva - A vida é uma festa” seria um de seus novos filmes, em 2011, começou um processo de pesquisas e visitas ao México que levou mais de três anos. Isso porque a 19ª animação do estúdio da Disney, que estreia no Brasil no dia 4 de janeiro de 2018, buscava contar uma história focada no tradicional dia dos mortos do país. E tinha a obrigação de respeitar a cultura local.

Quando a Pixar decidiu que “Viva - A vida é uma festa” seria um de seus novos filmes, em 2011, começou um processo de pesquisas e visitas ao México que levou mais de três anos. Isso porque a 19ª animação do estúdio da Disney, que estreia no Brasil no dia 4 de janeiro de 2018, buscava contar uma história focada no tradicional dia dos mortos do país. E tinha a obrigação de respeitar a cultura local.

Essa também era uma preocupação para o ator Gael García Bernal, que dubla um dos protagonistas nas versões do filme em espanhol e em inglês. Nascido há 38 anos em Guadalajara, no México, um dos lugares visitados pela equipe, ele cresceu acostumado à celebração tradicional, que acontece entre 1 e 2 de novembro.

“Toda essa investigação era muito vasta e muito abrangente”, diz Bernal. “Me pareceu fantástico o que queriam fazer, desde o começo. Conseguiram algo incrivelmente genuíno. Um filme que nós, como mexicanos, sentimos que é um filme mexicano.”

O país parece concordar. “Viva” estreou por lá no dia 27 de outubro, e já se tornou a maior bilheteria da história do México ao superar os 827 milhões de pesos (R$ 141 milhões) de “Os Vingadores” (2012).

Mentiras

Para o ator de “Diários de Motocicleta” (2004), a importância da animação ficou maior após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Durante a campanha em 2015, o empresário foi criticado por falar que entre os imigrantes mexicanos estavam criminosos e “estupradores”.

“Para as crianças dos Estados Unidos é um filme incrivelmente importante. Porque muitas que crescem lá são de ascendência mexicana ou latino-americana”, afirma ele.

“Sinto que o filme pode ser um elemento importante para que possam superar e fazer desaparecer essas mentiras ditas sobre eles. E também porque ressalta a interdependência cultural que temos entre os dois países.”

Memória, música e família

Em “Viva”, o garoto Miguel (voz de Anthony Gonzalez) se rebela contra sua família, na qual todas as formas de música são proibidas. Ele acaba preso no Mundo dos Mortos, lugar onde habitam seus antepassados, e precisa encontrar uma maneira de retornar ao mundo real.

Para isso, o menino forma uma aliança com o personagem de Bernal, Héctor, um malandro em busca de ajuda para poder visitar seus entes queridos ainda vivos uma última vez.

Apesar de usar a celebração mexicana do dia dos mortos, o ator diz que suas reflexões são universais. “É um filme que faz o público pensar nas suas próprias experiências. Em relação à memória, à família, aos entes que morrem, ao amor, ao que queremos da vida."

Por isso, ele conta que os pais que acompanharem os filhos aos cinemas também têm muito para aproveitar, mesmo que não da mesma forma. Para o ator, assim como aconteceu com “Ratatouille” (2007) e “Wall-E” (2008), enquanto os pequeno riem, os responsáveis podem chorar.

 

“As crianças ficam fascinadas com o filme, mas não vão chorar da mesma forma como os adultos. Ou talvez sim. Evidentemente, há um outro tipo de conexão”, diz. “Acho que não há ninguém que escape das reflexões ao ver o filme.”