São Paulo abriga 1/3 das salas de cinema do país

Uma em cada três salas de cinema do Brasil está localizada em São Paulo. São 1.031 espaços. O estado também tem uma das melhores concentrações de salas por habitante: aparece na terceira posição. Já o Acre reúne o menor número de salas do país: apenas cinco. E aparece na última posição em relação ao número total de habitantes. São 163,3 mil pessoas para cada espaço de exibição no estado.

Uma em cada três salas de cinema do Brasil está localizada em São Paulo. São 1.031 espaços. O estado também tem uma das melhores concentrações de salas por habitante: aparece na terceira posição. Já o Acre reúne o menor número de salas do país: apenas cinco. E aparece na última posição em relação ao número total de habitantes. São 163,3 mil pessoas para cada espaço de exibição no estado. Os dados são resultado de uma análise feita com base nos números mais atualizados do Observatório do Cinema e do Audiovisual, vinculado à Ancine, e nas estimativas populacionais do IBGE. No Brasil, há uma sala de cinema para cada 65.169 habitantes. Mas a concentração de espaços varia de região para região. O jornalista especializado em cinema Franthiesco Ballerini afirma que a população ainda não criou o hábito de ir ao cinema nem de ver filmes brasileiros. Quando fez a pesquisa para o livro "Cinema no século 21", Ballerini apurou que, no México, havia uma sala de cinema para casa 23 mil habitantes. E isso há cinco anos. "O México é um excelente país para a comparação porque a realidade mexicana não é muito diferente da brasileira. E o México tem muito mais salas de cinema. O Brasil ainda está aquém do seu potencial", diz Ballerini. Segundo ele, o investidor quer abrir salas de cinema apenas em cidades grandes, onde já há shoppings e outros espaços de exibição. "Resolvemos bem o eixo de produção de filmes, mas o mercado exibidor ainda não avançou." A diretora-presidente da Ancine, Debora Ivanov, faz uma outra comparação, com os Estados Unidos. "Enquanto temos aqui no Brasil 3.160 salas, os EUA têm mais de 40 mil. É uma programação especial sair de casa, reservar um tempo exclusivo para aquele evento, encontrar os amigos e se deixar impactar por belas histórias. A experiência da sala de cinema é única. No mundo inteiro as salas de cinema continuam um sucesso", diz. O Distrito Federal é líder no acesso a cinemas, quando consideradas as unidades federativas do Brasil. A relação é de 88 salas para quase 3 milhões de pessoas - isto é, uma sala de cinema para 33.862 habitantes. Em seguida, no ranking, aparece Roraima, o estado menos populoso do Brasil, que apresenta 15 salas para 514 mil habitantes, todas na capital, Boa Vista. Relação por município As salas de cinema estão presentes em apenas 383 dos 5570 municípios do Brasil - o equivalente a 6,9% do total. O percentual tem oscilado pouco nos últimos 10 anos. Das 3.160 salas de cinema localizadas no país, 64,1% se concentram em cidades com mais de 500 mil habitantes. As salas restantes estão, principalmente, em municípios com 100 mil a 500 mil habitantes. Em municípios com até 50 mil habitantes, a presença é irrisória. Apenas 54 das 4.911 cidades com essa faixa populacional têm salas de cinema. "Tradicionalmente, as salas de cinema são construídas em regiões de grande densidade populacional, pois o hábito de assistir a filmes está muito ligado a proximidade entre o cinema e as residências. Um cinema localizado em uma região com pouca densidade populacional pode encontrar dificuldade com a sustentabilidade do negócio", afirma a diretora-presidente da Ancine. Sem cinema Apenas uma cidade com mais de 500 mil habitantes não tem sala de cinema. Trata-se de Ananindeua, no Pará, que ganhará nos próximos meses nove salas de cinema na inauguração do shopping Metrópole Ananindeua. A cidade Belford Roxo, na Baixada Fluminense, também é lembrada como município populoso sem sala de cinema no “Anuário Estatístico do Cinema Brasileiro de 2016”, publicado pela Ancine em setembro deste ano. Estima-se que 494.141 pessoas morem no município. O livro digital "Uma nova política para o audiovisual", publicado pela Ancine neste ano, lembra que o Brasil já teve um parque exibidor "vigoroso" e "descentralizado" na década de 1970. Naquela época, 80% das salas estavam em cidades do interior e havia uma sala de cinema para cada 32 mil habitantes. O modelo tradicional do cinema passou por mudanças a partir da década de 1980 e ganhou concorrentes, como a TV aberta, o VHS, o DVD e a TV por assinatura. Segundo a publicação, o número de salas de cinema caiu de 3, 3 mil em 1975 para menos de mil em 1990. Produção nacional Os filmes nacionais representaram apenas 16,5% das vendas de ingressos em 2016. Essa taxa é maior que a de 2014 e 2015, mas ainda está distante da meta de 2020. Segundo o Plano Nacional da Cultura, a participação brasileira precisa ser de 27% daqui a três anos. Em 2016, as bilheterias venderam 184 milhões de ingressos para o cinema. Desse total, 30,4 milhões de ingressos eram para filmes brasileiros ante 153,9 milhões para filmes estrangeiros. A meta para longa-metragens brasileiros no circuito nacional, porém, está perto de ser alcançada. Em 2016, foram 142 longas. O Plano Nacional da Cultura estipula que, pelo menos, 150 longas estejam em circuito nacional em 2020. Um decreto publicado em dezembro de 2016 exige a inclusão de filmes nacionais e a respectiva exibição em salas de cinema. Pela chamada Cota de Tela, em 2017, cada sala de cinema deve exibir filmes brasileiros por, em média, 53 dias no ano. Filmes nacionais De todos os longas-metragens brasileiros de 2016, apenas 20,4% foram dirigidos por mulheres enquanto 78,2% estiveram sob o comando de homens. A direção foi mista em 1,4% dos filmes. A ficção é o gênero que representa a maior fatia dos filmes brasileiros que entram em circuito nacional. Dos 142 longa-metragens nacionais, 97 eram de ficção (68,3%). Os restantes eram documentários (44) e animação (1). As estatísticas do OCA só consideram, no entanto, quatro gêneros: ficção, documentário, animação e videomusical. Filmes estrangeiros Os Estados Unidos lideram com folga em número de longa-metragens estrangeiros lançados em 2016 no circuito nacional. Dos 238 filmes de fora, 126 tinham os EUA como país de origem. A França ocupou o segundo lugar, com 31 filmes lançados no ano. A diretora-presidente da Ancine, Debora Ivanov, lembra que os Estados Unidos produzem cerca de 500 filmes por ano, com campanhas de marketing e orçamentos milionários. "Não é fácil competir nesse mercado. Precisamos produzir um bom volume de obras, sendo que algumas vão se destacar comercialmente, e apostar mais ofensivamente na divulgação."