Globo nega plágio em O Outro Lado do Paraíso

Trama de Walcyr Carrasco remete à melodrama francês de 1966

No capítulo da última terça-feira, o público de O Outro Lado do Paraíso assistiu à "falsa morte" de Elizabeth, mais um desdobramento da trama de Gloria Pires que remete ao melodrama francês Madame X, escrito para o teatro por Alexandre Bisson, em 1908, e adaptado várias vezes para o cinema.

Assim como na adaptação mais famosa da história, o filme protagonizado por Lana Turner em 1966, Beth é casada com um homem com aspirações políticas que fica ausente durante muito tempo, período em que ela se encanta por outro homem. Quando o amante morre acidentalmente, Beth é chantageada pelo sogro (papel de Juca de Oliveira) para forjar a própria morte e abandonar marido e filha; no filme, a sogra é a chantagista e a protagonista é mãe de um menino. Outra similaridade é que a personagem do longa também simula a própria morte em um passeio de barco.

No filme de 1966, dirigido por David Lowell Rich, Holly (Lana Turner) casa-se com Clayton Anderson (John Forsythe) milionário com aspirações políticas. Na festa de seu casamento conhece Phil Benton (Ricardo Montalba), playboy por quem acaba se apaixonando quando seu marido se ausenta no Norte da África. Quando Clay retorna, Holly resolve terminar tudo com Phil. Acidentalmente Phil morre e Holly, chantageada por sua sogra Estelle (Constance Bennett), abandona marido e filho. Dada como morta, Holly em sua peregrinação desce ao submundo, viciando-se em absinto. Conhece Dan Sullivan (Burgess Meredith), a quem numa bebedeira conta quem é. Dan aproveita-se da situação e começa chantagear Holly. Para não permitir que seu passado venha à tona Holly mata Dan. A partir daí, passa a ser conhecida como Madame X, sendo defendida por um advogado jovem e idealista que sente por ela um grande afeto.

 

A TV Globo negou o plágio, em nota enviada ao jornalista Maurício Stycer (UOL). “A novela é produzida com base nas criações originais realizadas sob encomenda da TV Globo aos seus contratados. Como em toda obra, eventualmente podem existir referências comuns ao universo dramatúrgico”, argumentou a emissora.