Farmácia pública é alvo de reclamações por demora

A Medex, farmácia do Estado, é alvo de reclamações pela lentidão no atendimento. Os motivos seriam a falta de funcionários e a redução do horário. Dos quatro guichês, somente dois funcionam. As pessoas demoram de duas a quatro horas para conseguir a medicação. O espaço lotado também deixa muitos esperarem em pé. Desde o ano passado as queixas dos usuários da Medex aumentaram consideravelmente. É

A Medex, farmácia do Estado, é alvo de reclamações pela lentidão no atendimento. Os motivos seriam a falta de funcionários e a redução do horário. Dos quatro guichês, somente dois funcionam. As pessoas demoram de duas a quatro horas para conseguir a medicação. O espaço lotado também deixa muitos esperarem em pé. 
Desde o ano passado as queixas dos usuários da Medex aumentaram consideravelmente. É que o horário de atendimento, que era das 7h às 17 horas, sofreu quatro cortes, resultando em acúmulo de demanda e mais espera.
Primeiro a farmácia pública passou a fechar às 16h, depois às 15h, às 14h e em fevereiro deste ano o portão passou a fechar às 11h. O problema chamou a atenção do poder legislativo de Marília e o Ministério Público também interviu, solicitando explicações e a melhoria do serviço.
Segundo os usuários, a farmácia informou que reduziu o horário de atendimento várias vezes por conta da falta de admissão de novos funcionários pelo Estado. E houve rumores de que haverá o fechamento definitivo do serviço, passando a responsabilidade da dispensação ao Município, como ocorre com as cidades em torno de Marília, em que o DRS envia a medicação às prefeituras.
Por conta dos apelos e do inquérito do MP, o DRS IX (Departamento Regional de Saúde do Estado em Marília) recuou parcialmente e voltou a manter o horário de atendimento da Medex entre 7h e 15 horas. No entanto, os usuários não apontam nenhuma melhoria.
“Desde que essas reduções de horário começaram o DRS só coloca dois funcionários para atender as pessoas e mesmo voltando a fechar às 15h a lentidão é imensa”, disse a aposentada Sandra Melo Bertoleti. A auxiliar administrativo Mauri de Paula Lima, que também esteve na Medex esta semana para pegar remédio, reclamou que os horários informados nas senhas não são reais. “O Estado faz isso e propósito para não podermos provar a demora no atendimento”. Ela estava esperando há uma hora e ainda havia 64 pessoas em sua frente.
A Medex realiza mais de 300 atendimentos por dia e a demanda se acumula. A sala de espera não comporta o volume de pessoas, que se espalham também pelo lado de fora, permanecendo em pé. e apenas dois dos quatro guichês permanecem ocupados. São dois funcionários pela manhã e dois à tarde. Elisabeth Ananias Spera, servidora pública, tentou aguardar por duas vezes e não conseguiu em função do seu emprego. Na última quarta-feira ela pegou a senha, foi para o trabalho e retornou à Medex mais tarde. “Peguei minha senha às 7h40 e só fui atendida às 10 horas”.
“O Estado se comporta como se fizesse um favor para a população, mas isso não é verdade. Quem pega remédio na Medex é porque necessita e somos todos pagadores de impostos. Contribuintes. Nada é de graça. Minha mãe, hoje com Alzheimer, para quem busco medicação na Medex, tem 87 anos e já trabalhou muito e pagou muito imposto”, desabafou a cuidadora Antonia dos Santos. 
Sobrecarga de funcionários
E se a morosidade prejudica os usuários, também revelam sobrecarga para os servidores do Estado que atuam na Medex. Alguns usuários mencionaram o cansaço visível e falta de paciência dos atendentes em função do excesso de demanda. Também há relato de cadeiras quebradas e falta de investimento em materiais de trabalho.
O Jornal da Manhã questionou a Secretaria de Estado da Saúde sobre a previsão de aumento de servidores na Medex ou possibilidade de fechamento desse serviço, mas não obteve retorno.