Pacientes fazem manifestação contra Estado

Os pacientes com direito a obter a insulina degludec e glargina, conhecidas comercialmente como tresiba e lantus, fizeram uma manifestação contra o Estado ontem de manhã. Com camisetas, cartazes e gritos de guerra, o objetivo foi conseguir a regularização na entrega do medicamento, que tem sofrido interrupções constantes. Esses pacientes mantém um grupo de mais de 120 pessoas no whatsapp que, seg

Os pacientes com direito a obter a insulina degludec e glargina, conhecidas comercialmente como tresiba e lantus, fizeram uma manifestação contra o Estado ontem de manhã. Com camisetas, cartazes e gritos de guerra, o objetivo foi conseguir a regularização na entrega do medicamento, que tem sofrido interrupções constantes.
Esses pacientes mantém um grupo de mais de 120 pessoas no whatsapp que, segundo eles, serve para compartilhar as dificuldades na obtenção do medicamento e a troca quando um paciente ainda tem a insulina e o outro está sem.
“Um dos motivos do surgimento do grupo é porque a falta da insulina é constante”, disse o paciente Paulo Roberto Almas. Essas insulinas são caras, o que dificulta o acesso à compra para a maioria da população. Por meio de decisões judiciais o estado fica obrigado a fornecer a medicação, mas as falhas prejudicam os portadores de diabetes, que fazem tratamento diário.
“A lantus custa por volta de R$ 130,00 cada frasquinho de 100 ml e necessito de cinco frascos por mês, o que custaria R$ 650,00. O preço da tresiba é semelhante”, mencionou Paulo Almas, que é transplantado do rim. Ele e a esposa, que doou um rim ao marido, participaram da manifestação.
Os pacientes e apoiadores pararam o trânsito às 8h da manhã na rua Quinze de Novembro, na altura do número 1.151, em frente à Medex (farmácia do Estado), que funciona anexa ao DRS IX (Departamento Regional de Saúde de Marília), órgão vinculado ao governo estadual.
A insulina está em falta desse agosto e já esteve outros dois meses com entrega suspensa, além das demais interrupções e atrasos desde o início do ano. “Meu marido tem direito à insulina pelo poder público há pelo menos uma década. Antigamente era comum faltar nos finais de ano, por fim de uma licitação, mas a situação vem piorando e neste ano está insustentável”, destacou a esposa de Paulo Almas, Silvia Almas.

Estado
Dois representantes da manifestação foram recebidos pela diretora do DRS IX, Cristina Togashi, que disse apenas que a compra foi efetuada e que a medicação possivelmente vai estar disponível na semana que vem.
O Jornal da Manhã vem divulgando a dificuldade dos pacientes diabéticos e na última semana a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que “os desabastecimentos temporários são exceções à regra, ocorrendo por aumento inesperado de demanda, atrasos por parte do fornecedor, problemas logísticos, escassez de matéria-prima ou licitações que fracassam por ausência de interessados em vender o produto, entre outros motivos”.