Grupos contra e a favor organizam protestos

Uma lei municipal que está tramitando na Câmara e que prevê a volta dos rodeios em Marília já está mobilizando grupos contra e a favor da festa. Grupos em defesa dos direitos dos animais são contrários aos rodeios por considerarem que a disputa maltrata os bois. Os que apoiam os rodeios argumentam que quando realizados com fiscalização adequada e dentro das exigências dos órgãos de defesa animal,

Uma lei municipal que está tramitando na Câmara e que prevê a volta dos rodeios em Marília já está mobilizando grupos contra e a favor da festa. Grupos em defesa dos direitos dos animais são contrários aos rodeios por considerarem que a disputa maltrata os bois. Os que apoiam os rodeios argumentam que quando realizados com fiscalização adequada e dentro das exigências dos órgãos de defesa animal, os rodeios não sacrificam os animais.

Os dois grupos (contra e a favor do rodeio) estão organizando protesto para o próximo dia 24 a partir das 17h30 em frente a Prefeitura, com objetivo de pressionar os vereadores na decisão da questão. Os dois grupos montaram páginas no Facebook para divulgar os protestos (“Diga Sim a volta do Rodeio em Marília” e “Diga Não a volta do Rodeio”). Até o final da tarde de ontem, o movimento a favor tinha 628 pessoas confirmando presença e o movimento contrário com 129 pessoas dizendo que vão comparecer. 

A assessoria da Câmara informou ontem que o projeto, de autoria do vereador Evandro Galete (PTN), está tramitando nas comissões e ainda não há previsão para entrar na pauta de votação. O advogado Maurício Maldonado, que elaborou o projeto que será apresentado pelo vereador Evandro Galete, disse que é necessário conhecer a organização dos rodeios e entender que um evento realizado dentro da lei não maltrata os animais. “Um rodeio que não seja realizado dentro das normas, com fiscalização, presença de veterinários, autorização da Secretaria de Defesa Animal, o conforto do animal, eu sou contra”, disse. 

Maurício Maldonado explica que atualmente existem duas leis federais que consideram rodeio, vaquejada e outras festas pelo país como manifestação cultural e por isso deve ser mantido. “Estamos fazendo uma lei municipal para assegurar que quem realizar um rodeio em Marília não corra o risco de ter o evento interrompido por uma decisão liminar. Se em todo Brasil pode ter rodeio porque Marília não pode?,” disse. 

O advogado argumenta que os bois utilizados em rodeios são bem tratados e vivem em média 20 anos. Já os bois criados para o abate vão para confinamento, engordam de forma rápida e vivem pouco. “Se a preocupação é com a qualidade de vida dos animais, acho que os protetores de animais não estão sendo coerentes”, disse. 

Para Fernanda Costa, da ONG Adote Animais de Marília, que está organizando o protesto contra a volta dos rodeios, a aprovação da lei seria um retrocesso para a cidade, já que ela pode abrir precedente inclusive para liberar rinhas de galo, por exemplo. “Desde 2009 temos a decisão judicial proibindo os rodeios em Marília, não somos a favor da volta da prova. Queremos convidar todas as pessoas e todas as ONGs da cidade para participar do protesto dia 24, com cartazes e apitos para pressionar os vereadores a votarem contra. Faremos um protesto pacífico”, disse. 

No último dia 20 de março, o deputado federal Capitão Augusto (PR) esteve em Marília e durante encontro com o prefeito Daniel Alonso pediu a volta dos rodeios na cidade. O parlamentar atuou por 24 anos como policial militar em Ourinhos e argumentou que a Câmara dos Deputados já realizou amplo debate com ambientalistas e defensores de animais antes de apoiar a realização dos rodeios. Para o deputado, não há maus-tratos dos animais nos rodeios. Na ocasião, o prefeito Daniel Alonso disse que iria estudar a questão.