William Nava completa 24 anos de escavações

O paleontólogo William Nava completa neste mês 24 anos de escavações e descobertas de fósseis em Marília e região. Por conta disso, a Prefeitura mantém um Museu de Paleontologia no prédio da Biblioteca, onde o sucesso deste trabalho, que eleva o nome da cidade, pode ser confirmado. “Tudo começou em 1993 quando do encontro dos primeiros restos ósseos de um titanossauro no leito da estrada vicinal P

O paleontólogo William Nava completa neste mês 24 anos de escavações e descobertas de fósseis em Marília e região. Por conta disso, a Prefeitura mantém um Museu de Paleontologia no prédio da Biblioteca, onde o sucesso deste trabalho, que eleva o nome da cidade, pode ser confirmado.
“Tudo começou em 1993 quando do encontro dos primeiros restos ósseos de um titanossauro no leito da estrada vicinal Padre Nóbrega-Rosália. Essa descoberta, na época, ganhou grande repercussão em todo o país. Até porque naquele momento estava sendo lançado, em cadeia nacional, o primeiro filme da série Jurassic Park”, menciono Nava.
O paleontólogo deixou de ser bancário e abraçou definitivamente a sua profissão. “Até então encontrar um fóssil era um sonho que eu mantinha desde a adolescência”.
A cada descoberta e divulgação, os fósseis chamavam mais a atenção da população da cidade e em torno e no final de 2004 já havia um acervo de fósseis que justificava a criação de um museu específico. No ano seguinte a Prefeitura trabalhou no projeto junto com William Nava, que se tornou coordenador do Museu Municipal de Paleontologia.
Desde então as pesquisas tiveram continuidade e avanços, com novas descobertas incorporadas ao museu, que adquiriu ampla visibilidade. Entre as mais recentes estão os restos ósseos de um pequeno crocodilo com crânio preservado, praticamente articulado a partes do esqueleto pós-craniano.
A descoberta veio após três meses de trabalho, sendo divulgada pela imprensa em junho do ano passado. O crânio, medindo cerca de 20 centímetros de comprimento ainda está em parte, imerso no arenito fino marrom avermelhado. Mas pela morfologia e exposição da região superior do crânio, Nava avaliou que se trata, provavelmente, de um crocodilo da família dos peirossaurídeos, animais com características bastante peculiares e com registros fósseis já confirmados para esta região do Estado.
Também foram coletados dentes de terópodes (dinossauros carnívoros), dentes de saurópodes (dinossauros herbívoros, provavelmente Titanossauros), e outros dentes isolados pertencentes a crocodilianos.
Os fósseis estavam parcialmente expostos por obras realizadas há pouco tempo para construção de um trevo rodoviário, estando o material do crocodilo incrustado em rochas embaixo de um viaduto, quase tendo sido totalmente destruído pelas máquinas que cortaram verticalmente o barranco rochoso.
“Tive um bom trabalho para retirar os fósseis desse crocodilo, pois estavam há cerca de 2 metros de altura, ‘pendurados’ no barranco vertical, e  as rochas estavam  muito maciças, dificultando as escavações. O crânio estava mergulhado rocha adentro,  exigindo ainda mais atenção e cuidado na retirada. Depois de três dias e centenas de blocos de arenito quebrados, consegui remover em segurança todo esse material”, lembrou Nava.  Essa nova localidade fossilífera, de acordo com Nava, pode apresentar outros grupos fósseis mais raros no contexto da Bacia Bauru