33ª Exposição de Ikebana acontece no Japan Fest

Harmonia e equilíbrio se projetam para o céu, como se vai em busca da fé e valorização da própria vida. Os elementos que compõem o ikebana refletem esta aura de contemplação que o povo japonês já praticava no século VI, quando de suas oferendas nos templos budistas. A arte milenar está presente em todo o mundo e em Marília volta na 33ª edição da Exposição de Ikebana Ikenobo, em comemoração ao aniv

Harmonia e equilíbrio se projetam para o céu, como se vai em busca da fé e valorização da própria vida. Os elementos que compõem o ikebana refletem esta aura de contemplação que o povo japonês já praticava no século VI, quando de suas oferendas nos templos budistas. A arte milenar está presente em todo o mundo e em Marília volta na 33ª edição da Exposição de Ikebana Ikenobo, em comemoração ao aniversário da cidade.

Sob presidência da professora Maísa Ayako Komatsu, a Exposição de Ikebana Ikenobo será inaugurada no próximo dia 21, às 20h, durante o Japan Fest, no clube de campo do Nikkey Marília, com a presença de Emília Tanaka, presidente da Associação de Ikebana Kado Ikenobo Tatibana da América Latina. Como presidentes de honra estão Akiko Sasazaki, Rosa Tamae Hatsumura e Hiroko Kinoshita.

Já tradicional na região, o ikebana (arranjo floral) tem seguimento pela dedicação em mais de quatro décadas, na professora Maísa Komatsu, que foi aluna de Rosa Kodama, precursora desta arte milenar, na cidade.

Para começar a prática do Ikebana é preciso aprender a valorizar cada detalhe das plantas e flores. A escolha do material, a colocação nos vasos respeitam uma filosofia de vida de vivificação, harmonia, respeito, equilíbrio. São três elementos básicos, neste trilhar o caminho das flores: Shin (céu), soe (homem) e tai (terra). Pronto, o arranjo remete às alturas e à essência da família. 

Inicia-se pelos estilos mais simples como o shoka e dyuka (livre). O praticante acompanha o movimento das próprias plantas e com o aprendizado e experiência chega ao estilo rikka, já no quinto grau do ikebana. O aprimoramento acontece de forma natural e tranquila como deve ser o desenrolar da vida.

“Quando olho uma pessoa não vejo o que estou enxergando, vejo o interior. Assim quando se consegue chegar aí, no fundo, consegue-se dar valor até a um furinho na folha amarelada, murcha, nesta época de outono. O ikebana ensina tudo isso”, explica a professora Maísa.

Seus ensinamentos se tornam modo de vida aos alunos. Angélica Suguidomi diz que o ikebana age como “válvula de escape na correria do dia a dia, é um complexo por envolver o meio ambiente, a arte, ecologia. Tenho amor pelas plantas e isso proporciona harmonia com todas das coisas. Ikebana é paixão”, enfatiza a aluna que está na prática do estilo rikka.  “É desafiador, fiz um rascunho todo borrado e a sensei (Maísa) deu cor e mais vida (corrigiu conforme a técnica do ikebana)”, frisou Angélica.

Maísa ressalta que o ikebana não sugere somente fazer: “O momento de montar é uma felicidade, ensina muito, paciência, ressaltar a beleza das flores e das pessoas; não procurar defeito, mas valorizar. Ensina o valor da vida. Admiro muito minhas alunas’, diz ela citando a médica Elizabeth Melges Pavan que já pratica há mais de 20 anos, “ela se sente feliz em montar o arranjo. Sempre sai o inesperado”.

Assako Suzuki, outra aluna, fala em flor por toda a parte, até na cabeça da pequena Julia, de 1,3 anos, filha de uma das companheiras de curso, Rosane Hashimoto. “Em todo lugar temos plantas e flores, aí você coloca a criatividade, seguindo a técnica, o dom artístico e tem-se o ikebana. Ao cortar um galho dá-se outra vida”.

Para ela, o ikebana também age como conforto em momentos difíceis. Sempre que prepara um arranjo pensa na filha, Melissa, que faleceu. Quando no ikebana tem girassol ou tulipas aí tem-se um dia especial, acolhedor; eram as flores preferidas de Melissa.

A empresária Rosane Aparecida Mendes Hashimoto destaca a harmonia promovida pelo ikebana. Uso na agência, no kakimori (loja de raspadinha japonesa) e em casa. Sem o arranjo o ambiente fica neutro, precisa da flor para harmonizar e sente quem faz e quem aprecia. É uma paz interior muito grande. Com a prática a gente vivifica a flor, tem contato com a natureza, destaca a beleza das flores, galhos, folhas. Como pratiquei durante toda a gestação da Julia, hoje até ela sente falta e já mostra sensibilidade para as plantas”, frisou.

A dentista Celina Akiko Hara Okaji, a caçula da turma, com quase três anos de prática, lembra que a mãe Líria montava os arranjos para o consultório. “Sempre admirei, mas trabalhando na saúde pública e morando em Buenos Aires, por um ano não tinha tempo. Quando retornei, fiquei cuidando dos filhos e a Rosane me trouxe. É uma terapia, tem o prazer em vir, fazer e levar para montar em casa. Com o ikebana você valoriza o belo, leva a natureza para dentro de casa, dá mais vitalidade e esplendor às plantas. É como o ser humano, tem os tempos áureos e depois vamos envelhecendo. É preciso valorizar cada momento e é também uma forma de se expressar, conforme o momento, revela nossos sentimentos”. 

Para saber mais sobre o Ikebana, em Marília ou iniciar a prática desta arte milenar, basta entrar em contato com Maísa Ayako Komatsu pelo telefone (14) 3433-3973.

Serviço

33ª Exposição de Ikebana Ikenobo

Abertura: dia 21 de abril, às 20h, no Japan Fest-Nikkey Clube

Visitação: dia 21 a partir das 20h; dia 22, a partir das 16h; e dia 23, a partir das 12h

Demonstração e oficinas: dia 23 de abril, às 15h.