editorial

           Com vacina Dória quer “abafar” assalto do ICMS

 

O governador de São Paulo, tucano João Doria, esperneia feito criança em busca da aprovação da vacina chinesa CoronaVac que ele gastou milhões de reais dos contribuintes. Mas tem enfrentado resistência do governo federal e até de boa parte da população diante das trapalhadas em relação aos anúncios da eficácia do imunizante que vem sendo produzido em parceria com o Instituto Butantan.


A vacina é a grande aposta política do governador para se cacifar para a eleição presidencial de 2022m nas acabou virando munição contra o tucano. Depois de adiamentos e de uma divulgação parcial na última semana, a eficácia global da Coronavac foi anunciada na terça-feira (12) em 50,38%. Grupos antivacina e políticos com agenda diversa da de Doria aproveitaram a divulgação errática dos dados para questionar a qualidade do imunizante.


O problema é que João Doria está no meio de fogo cruzado por causa do decreto absurdo que aumentou drasticamente impostos no Estado, para tentar tapar o “rombo” que ele diz que existe nas contas públicas. Mas isso não é verdade, como deixou bem claro o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf. De acordo com Skaf, no entanto, o governo deveria “diminuir os seus gastos”. “Se está com dificuldade nas despesas, que diminua os gastos, aumente a geração de trabalho e produção. É inaceitável o aumento de preços dos produtos essenciais, como alimentos, remédios, transporte, vestuário, automóveis, prejudica toda a população. O Brasil já tem imposto demais”, afirmou o presidente da Fiesp. Skaf diz que Doria mente ao falar em “rombo”, pois a arrecadação do Estado de São Paulo no ano passado foi maior do que em 2.019, mesmo com a pandemia.


Vários movimentos de sindicatos, associações e entidades protestam contra o aumento absurdo do ICMS. O aumento de impostos estaduais gerou reações de setores chaves da economia paulista.


Dia 15 de janeiro (amanhã) entra em vigor aumento de 207% no ICMS de carros usados e 20% nos carros novos. Ou seja, um carro usado que custa hoje R$ 20 mil paga hoje R$ 360,00 de ICMS. Com o aumento vai para R$ 1.105,00 de ICMS. Um roubo explícito!


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entrou com uma ação na Justiça de São Paulo alegando que a medida é “inconstitucional” e pedindo que os aumentos sejam derrubados de forma horizontal. O governo chegou a voltar atrás e anunciar que não alteraria mais o imposto cobrado sobre medicamentos genéricos e alimentos mas, para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, as informações não são claras e objetivas. “A única coisa que o governador fez foi lançar uma nota pra imprensa, não há decreto, informação objetiva, nada ficou claro”, afirmou.


De acordo com Skaf, caso a decisão da Justiça paulista não seja favorável, a Fiesp vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal. “Isso é ilegal, inconstitucional (…) Estamos com esperança que a decisão seja favorável e que a gente consiga segurar esses aumentos. Mas se não conseguirmos vamos entrar no STF defendendo a inconstitucionalidade dessa medida”, afirmou.

Com tantas críticas e a revolta da sociedade, principalmente dos servidores aposentados que estão sendo lesados com descontos escorchantes nos salários, o governador João Doria quer ganhar destaque e papel preponderante como o “rei da vacina anti-Covid”. Já anunciou o início da vacinação várias vezes e agora garante que será no dia 25 de janeiro, fazendo intensa pressão para que a Anvisa aprove os protocolas da CoronaVac e que o Ministério da Saúde libere recursos para a compra do imunizante. Pura politicalha com uma vacina que já vem sendo chamada de “cara ou coroa”: ou seja, tem 50% de chance de um lado e de outro. Tanto pode dar certo, como não dar. Além disso, serão necessárias duas doses da CoronaVac para ter o efeito imunizante.