Programa de Baixo Custo reduz castrações em 27%

Programa visa conter a população de cães e gatos, mas Upam defende que quantidade de cirurgias é insuficiente

 

Foto: Divulgação

As castrações realizadas pelo Programa Municipal de Baixo Custo tiveram redução de 150 para 110 neste mês de janeiro. Com isso, diminuíram os procedimentos gratuitos repassados às ONGs de proteção animal, que questionam a contenção diante da alta demanda de cães e gatos nas ruas ou pertencentes a famílias de baixa renda.

Atualmente há dez clínicas conveniadas à Prefeitura para a realização da castração de baixo custo: R$ 80,00 em felinos e R$ 100,00 em caninos, tanto para macho quanto para fêmea.

Do total de procedimentos cumpridos no mês, 20% deles são destinados às ONGs de proteção animal, oito atualmente. Essas entidades destinam as castrações gratuitas aos animais das famílias mais carentes ou resgatados das ruas.

“O programa é muito positivo, mas a quantidade de castrações é insuficiente para o controle populacional efetivo de cães e gatos, o que é fundamental para a saúde pública”, disse a presidente da Upam (União Protetora dos Animais de Marília), Tessa Elisabeth Carvalho.

Tessa lembrou que participou da execução do projeto em apoio ao Legislativo no ano de 2007, quando o programa foi instituído. Nesta parceria, a Upam gerenciou as castrações de baixo custo até 2011.

No início eram 50 castrações por mês, mais tarde houve aumento, chegando a passar de 200 procedimentos em alguns meses, mas a média vem sendo de 150 cirurgias. E em 2020 houve suspensão do programa por quatro meses por conta da pandemia.

“Com base em dados da Organização Mundial da Saúde, para conter a população de cães e gatos, o ideal seria Marília manter entre 250 e 300 castrações por mês. Mas ao invés disso ocorrer, 2021 começa com a redução dos procedimentos”, lamentou Tessa Elisabeth. Ela lembrou que as fêmeas caninas têm dois cios no ano e as felinas, três.

A presidente da Upam frisou a importância do controle da população animal para prevenção de raiva e leishmaniose em humanos. A Divisão de Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde respondeu que o programa de castração tem “oscilações de produção devido às contingências epidemiológicas atuais, a questões relacionadas às clínicas parceiras e às condições socioeconômicas da população, como acontece em quase todas as atividades desenvolvidas no país (por conta da pandemia)”.

A Upam contraria a logística de castrações do programa, que permite que as pessoas na lista de espera escolham a clínica conveniada onde desejam que Tessa afirmou que uma clínica da zona Leste está com fila de espera, enquanto outras poderiam castrar mais animais e estão sem demanda. Há apenas uma clínica veterinária fazendo 20 castrações/mês. As outras nove cumprem dez procedimentos em janeiro.

“A qualidade de todas as clínicas parceiras é equivalente. Não há motivo para permitir a escolha. Por conta disso, várias das clínicas estão com capacidade ociosa. Poderia haver um direcionamento das castrações de acordo com a região de moradia dos donos de animais”.