Fila de banco gera aglomeração na calçada

Problema esgota os usuários, é um risco à Covid e tem prejudicado o comércio entorno

 

Fotos: Paulo Cansini

Esta sexta-feira (8) foi mais um dia de horas de espera nas calçadas pelo atendimento do Banco Mercantil do Brasil em Marília. Idosos e pessoas doentes esperam por horas, em pé, para receber a aposentadoria, pensão ou benefício. O problema já se tornou rotina e tem afetado até os lojistas, que ficam com a frente do estabelecimento tomada pela aglomeração de pessoas, o que também é uma ameaça de Covid.

O banco “empurrou” seus usuários para fora das agências para resolver o seu problema de aglomeração, atendendo às determinações de prevenção à Covid. Porém, o que acontece nas calçadas são metros e metros de fila, sem distanciamento social.

Além disso, as pessoas que deveriam receber atendimento prioritário em função da idade avançada agora ficam em pé por até três horas e essas mesmas pessoas são grupo de risco para a transmissão do Coronavírus. Embora o risco de transmissão aumente em locais fechados, também existe do lado de fora das agências, ainda mais quando os idosos se veem obrigados a recostar nas paredes e sentar em degraus e muretas dos imóveis quando a fila caminha vagarosamente.

O Jornal da Manhã tem presenciado o problema e ouvido os relatos de quem está nas filas. No último dia 6 o JM mostrou o problema, que ocorre mensalmente desde que a pandemia começou.

E nesta sexta (8) a equipe de reportagem flagrou a dificuldade dos estabelecimentos comerciais vizinhos da agência da rua Nove de Julho, nº 1.413. “Não vendo nada há quatro dias”, desabafou uma lojista, Theresinha de Jesus Buzzeto Rodrigues.

Ele acionou a Polícia Militar, a Prefeitura, a Associação Comercial e Industrial e o Procon. “Parece que sou uma peteca jogada de um lugar para o outro. Ninguém resolve essa situação e fui vaiada ao tentar conversar com o gerente do Mercantil. As pessoas estão muito nervosas com essa situação, mas acabam sendo agressivas conosco”, contou a comerciante.

O problema é que a aglomeração fecha as vitrines e a entrada das lojas, afugentando os consumidores. Além disso, as pessoas na fila pedem água e banheiro o tempo todo e a fila dura grande parte do dia. “Eu me sinto mal por negar a entrada, mas se ajudo um, em seguida vem outro e outro, o tempo todo. Mas como os lojistas podem resolver a situação de centenas de pessoas? Cabe às autoridades cobrar o Mercantil para que tome providências”.

Quanto ao fechamento das entradas das lojas, Theresinha contou que já tentou orientar as pessoas na calçada, mas elas não reagem bem, e quando se afastam um pouco, logo outras pessoas se aglomeram novamente conforme a fila anda. Ela já tentou por cartaz tb, sem efeito.

“A maioria é idosa e está exausta e nervosa, quer se apoiar, sentar, fugir do sol, mas as autoridades não tomam providências e o comércio não pode ser responsabilizado. Eu e meu esposo também somos idosos e temos muitos problemas de saúde, mas precisamos trabalhar e não é justo que essa situação que caberia ao banco e ao Município resolver recaia sobre nós”.

Mercantil

Na última terça-feira (5) o banco Mercantil do Brasil informou que “investe constantemente na qualidade do atendimento, mas esclarece que eventualmente podem ocorrer picos de movimento – principalmente em dias de pagamento de benefícios – que podem alterar o padrão de qualidade”.

Informou ainda que “em virtude da pandemia, tem sido necessário seguir o protocolo de distanciamento entre os clientes, conforme exigido pela Organização Mundial da Saúde, o que gera filas mais longas. Para evitar esses inconvenientes, o banco orienta que os beneficiários consultem o dia específico do pagamento por meio do site www.mercantildobrasil.com.br, no recibo de saque ou no calendário afixado nas agências”.

A número da Ouvidoria do banco é 0800-7070384, um canal para defender os direitos dos clientes. Para abrir uma ocorrência é preciso informar o número do protocolo fornecido pelo SAC.

Prefeitura já autuou o Mercantil várias vezes

A Prefeitura informou nesta sexta que já notificou e autuou o Mercantil. “Quando recebemos as denúncias dessas filas intermináveis, nossos fiscais vão até o local, conferem a situação, fotografam e novamente o estabelecimento é autuado”.

Em relação ao prejuízo das lojas vizinhas, a Prefeitura mencionou que a solução não cabe á Administração Municipal. “Sugerimos que esse assunto seja tratado com a Acim (Associação Comercial e Industrial de Marília) para que uma providência seja tomada de maneira geral, com todas as agências (dos outros bancos também) causadoras do mesmo problema na cidade”.