O inconsciente explicado ao meu neto

“O que é, exatamente, o inconsciente? Ele se parece com um iceberg. (...) Imagine por um instante esse belo objeto inerte, com uma parte mergulhada na profundeza do oceano

“O que é, exatamente, o inconsciente? Ele se parece com um iceberg. (...) Imagine por um instante esse belo objeto inerte, com uma parte mergulhada na profundeza do oceano, enquanto a outra fica acima da superfície da água. As duas partes são diferentes: aquela invisível é mais importante do que a visível, e também mais perigosa, porque permanece encoberta. Todos os navegadores sabem disso. Eles temem muito mais o que está escondido do que o que está visível.”

Star Wars, Titanic, o imaginário de contos e lendas, o sonho, o comportamento dos animais: é mergulhando no universo mental dos adolescentes de hoje que Élisabeth Roudinesco, a mais conhecida especialista francesa em história da psicanálise, no livro O inconsciente explicado ao meu neto (Editora Unesp, 120 páginas), confere substância a um elemento que, embora invisível, é determinante para nossa vida.

 

História da solidão e dos solitários

 

A oposição entre convivência e isolamento é intensificada pelo papel das novas tecnologias de comunicação e das redes sociais. Mas esse fenômeno é apenas o ponto de chegada de uma longa história que começa na Antiguidade, quando os pensadores já haviam posto a alternativa em seus termos: o homem é um “animal social”, mas não deixa de ser amante dos encantos bucólicos do isolamento. Solidão física e psicológica, solidão voluntária e aplicada como pena criminal, refúgio e maldição: o livro História da solidão e dos solitários, de Georges Minois (Editora Unesp, 503 páginas) retraça em detalhe a história da dubiedade dessa condição humana.