Mega da Virada pode te render R$ 350 mil por mês

 

 

Com investimentos simples de todo o valor do prêmio de R$ 300 milhões, é possível ter R$ 50 mil para gastar por dia. Diversificar o dinheiro é o caminho para ter mais rentabilidade em cenário de poupança com retorno baixo

 

A Mega Sena da Virada de 2020 tem um prêmio estimado em R$ 300 milhões, um dos quatro maiores já sorteados pela loteria federal. Para viver de renda com uma dinheirama assim nem é preciso tanto esforço.


Na menos rentável das aplicações financeiras, a poupança, o vencedor que levasse a bolada sozinho poderia ter R$ 347 mil por mês. Com a taxa básica de juros (Selic) na mínima histórica de 2% ao ano, a aplicação rende aproximadamente 0,12% ao mês na data de aniversário.


Claro que com esse dinheiro já dá para parar de trabalhar e viver de renda. Mas com um pouco mais de esforço (leia-se educação financeira) e diversificando os investimentos, é possível aumentar o padrão e viver com muito mais rendimentos e sem comprometer o grosso do patrimônio.


Com uma meta de rendimento de 0,5% ao mês (equivalente ao que rende a poupança antiga, com a regra anterior a maio de 2012), o prêmio renderia R$ 1,5 milhão por mês - ou R$ 50 mil para gastar por dia. Para atingir este valor, com uma Selic tão baixa, a resposta é uma só: diversificar.


A diversificação é a saída para aumentar a rentabilidade sem arriscar tudo que se tem em aplicações como ações da bolsa. "Sobre onde aplicar o valor, sugiro sempre a variação de investimentos, não apostando em apenas uma linha. Lembrando que, por mais que a alegria seja grande, é preciso seriedade na hora de tratar com o dinheiro, por isso é bom buscar por auxílio de especialistas de sua confiança", diz, em nota, Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).


Com uns milhões aqui e outros acolá é possível turbinar os investimentos mesmo em tempo de juros tão baixos. Como sempre, a maneira de diversificar depende do objetivo financeiro e do perfil do investidor.


De nada adianta colocar o dinheiro na renda variável e perder o sono e a paz com medo de perdê-lo. O perfil de risco é o que dita o quanto deve ficar em aplicações mais conservadores como fundos DI, CDBs com liquidez diária e até a poupança. Por exemplo, o ganhador poderia aplicar parte do dinheiro em fundos imobiliários e receber retornos mensais desses investimentos, livre de imposto de renda.


Também é possível ganhar dinheiro com a venda de cotas dos fundos, quando elas se valorizam, claro. (Neste caso, há cobrança de imposto de renda). Para se ter uma ideia, em novembro, o índice que acompanha o desempenho desses fundos, o Ifix, teve alta de 1,51%. Hoje já há fundo de índice (ETF) que acompanha o Ifix, o que se torna uma opção para diversificar.


Mas como renda variável, este tipo de aplicação pode sofrer variação negativa. Por isso, o investidor pode deixar parte do dinheiro em renda fixa, em aplicações como CDBs que podem render 0,30% ao mês (antes do desconto de impostos). É importante o investidor ter em mente que só poderá sacar sem prejuízos inesperados a parte do dinheiro que estará em aplicações de alta liquidez (que são aquelas com resgate mais rápido, como CDBs, Tesouro Selic e poupança). Do contrário, poderá amargar a rentabilidade negativa.


Hoje a situação está mais difícil para o investidor conservador. Mas se a Selic aumenta, também fica maior a renda mensal do vencedor do prêmio. Segundo o último Boletim Focus, que reúne expectativas do mercado, a taxa básica poderá encerrar o ano que vem a 3,13%. Neste caso, numa aplicação bem simples que pague 100% do CDI, o prêmio renderia cerca de R$ 9 milhões ao ano - ou R$ 750 mil por mês.