Hipertensão Arterial faz mais vítimas entre a população negra

Às vésperas do 20 de novembro (última sexta-feira), a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) mais uma vez faz relevante alerta aos cidadãos negros.

Às vésperas do 20 de novembro (última sexta-feira), a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) mais uma vez faz relevante alerta aos cidadãos negros.

Eles devem ter preocupação redobrada com a hipertensão arterial, já que constituem o grupo em que a doença é mais prevalente. Estatísticas registram diagnóstico médico maior entre mulheres negras (27,4%) do que entre homens negros (22,2%).

Pressão alta é risco de desdobramentos seríssimos. Pode ocasionar derrame cerebral, insuficiência renal, insuficiência cardíaca, infarto e até demência, sem falar que leva a óbito. Aliás, ela já é responsável por desencadear até 80% dos casos de derrame cerebral e 60% dos casos de ataque cardíaco registrados no País.

O problema é de tal gravidade que o chamado à atenção da SBH à população não é pontual, não se dá somente por se tratar do mês da Consciência Negra. Durante todo o 2020, médicos e profissionais de saúde da área têm envidado ações relacionadas durante a campanha Meça sua pressão arterial, controle-a, viva mais. Destacam, entre outros pontos, a importância do diagnóstico e controle da hipertensão arterial, os quais podem salvar vidas.

Famosos do mundo da teledramaturgia, da música e dos esportes abraçaram a iniciativa. São padrinhos oficiais da campanha da SBH o ator Lázaro Ramos, os irmãos e cantores Jairzinho e Luciana Mello e a campeã mundial e olímpica de vôlei Márcia Fofão. Em vídeos e depoimentos disponíveis no site e redes sociais da SBH, eles conclamam fãs, torcida, enfim, a todos, a investir na prevenção.

No portal www.sbh.org.br há ainda conteúdos completos e atualizados para cuidados adequados à pressão arterial.    

Fatores de risco

A hipertensão arterial vem aumentando ano a ano entre os brasileiros de forma geral, sendo que já atinge um terço da população acima de 18 anos, segundo o Ministério da Saúde (mais de 70 milhões de pessoas).

Entre os negros, os números são mais alarmantes: dados americanos mostram prevalência de hipertensão em 40% entre afrodescendentes. No Brasil, os estudos epidemiológicos revelam que a população negra tem 1,5 vezes mais prevalência que os brancos.

Além disso, a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, apresenta diagnóstico médico maior entre mulheres negras (27,4%) do que entre homens negros (22,2%). Isso ocorre por fatores genéticos e ambientais, entre eles maior prevalência de obesidade e maior sensibilidade dessa parcela da população ao excesso de consumo de sódio.

Histórico familiar, sedentarismo, abuso do consumo de álcool, rotina estressante, excesso de peso e, principalmente, consumo excessivo de sal, são alguns dos motivos que causam a doença, que se não tratada pode resultar em derrame cerebral, insuficiência renal, insuficiência cardíaca, infarto e até demência.

“Para evitar a hipertensão, medidas simples do dia a dia podem ajudar: praticar atividade física com regularidade, diminuir a ingestão do sal, evitar o excesso de peso, manter uma dieta balanceada, realizar exames de rotina, abandonar o cigarro,” pondera a enfermeira Grazia Guerra e o dr. Luiz Bortolotto, coordenadores da campanha. “No caso dessa doença, a prevenção é sempre o melhor remédio”, arremata Dra. Frida Plavnik, presidente da SBH.

Pandemia e HA

Com o isolamento social devido a pandemia do coronavírus, os indivíduos com pressão alta devem ter atenção especial, com acompanhamento de especialistas, aos cuidados necessários para mantê-la sob controle.

Daí a Sociedade Brasileira de Hipertensão também vir orientando todos os pacientes a procurar serviço de emergência em casos de dor forte no peito, falta de ar intensa, perda de movimentos ou dificuldade para falar, que podem significar complicações graves da hipertensão arterial.

Como já citado, a HA é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, responsáveis pelas principais causas de morte em nosso país e no mundo, como o infarto e o derrame cerebral.

“É fundamental que os cidadãos acompanhem sempre a pressão arterial, para evitar complicações que ocorrem quando ela fica muito alta”, pontua o vice-presidente da SBH, Luiz A. Bortolotto, cardiologista. “Se possuírem aparelhos de aferição de pressão em suas casas, façam as medidas regularmente e comuniquem seus médicos se houver alguma alteração. Intensifiquem a adoção de hábitos saudáveis de vida, como diminuir o consumo de sal, evitar o excesso de álcool, e manter algum grau de atividade física, mesmo dentro de suas casas”, ressalta ele.

Na atual crise de saúde mundial, é igualmente natural uma maior ansiedade, que pode contribuir também para o aumento da pressão arterial. Por isso, são essenciais atitudes que diminuam o estresse, tais como conversar com parentes e amigos por meios digitais, ler um bom livro, assistir filmes e até técnicas de meditação e relaxamento. Todas essas ações ajudam a manter a pressão controlada.

O mais relevante de tudo, se a pessoa tem pressão alta e faz uso de medicação, é não deixar de tomar os medicamentos para controlar a pressão arterial, mesmo que fique infectada com o novo coronavírus. É imperioso consultar o médico ou serviço de saúde para esclarecer as dúvidas antes de qualquer mudança.

Por último, há evidências em todo o mundo de uma diminuição de procura aos hospitais por doenças cardiovasculares devido ao receio de se infectar pelo coronavírus.

Assim, as pessoas devem ficar atentas a sinais de alarme para estas doenças, como dor forte no peito, falta de ar intensa, perda de movimentos ou dificuldade para falar, que podem significar complicações graves da hipertensão arterial. Nesta situação, o paciente deve procurar um serviço de emergência para ser tratado.

A SBH reforça que, além de adotar todas as medidas para a prevenção da Covid-19, é indispensável continuar cuidando sempre da sua pressão arterial.