editorial

Covid ataca. Dória se esconde!

 

Ninguém tem dúvida de que o governador de São Paulo, João Dória, vem se dedicando com unhas e dentes na campanha pela reeleição do prefeito da capital, Bruno Covas. Nesse período, Dória fez vistas grossas para o ataque da Covid tanto na capital (onde a situação é crítica) como no interior. Ele se esqueceu dos mapas coloridos, das falácias quinzenais na televisão e do #FiqueEmCasa.


Abriu as portas e porteiras na capital paulista, colocando a cidade no plano Verde, contraditoriamente, superlotando ônibus, metrô, trens, bares, restaurantes, shoppings. Uma verdadeira festança sem limites com clima bastante propício para a difusão do coronavírus.


João Dória deveria inclusive fazer alterações no Plano São Paulo de combate ao coronavírus nesta semana. Mas anunciou que isso ficará para o dia 30 de novembro. Não por acaso, uma segunda-feira, após o dia da eleição no segundo turno. É muita cara de pau!

Mas críticas desabaram nas redes sociais nesta semana sobre o governador pelo descaso com a situação cada vez pior na retomada da infecção pelo coronavírus, principalmente na capital paulista, com o aumento de cerca de 20% nas internações em hospitais públicos e particulares. Algumas outras cidades na Grande São Paulo também já registram aumento de internações pela Covid-19.

Diante das críticas e após o aumento do número de internações e casos de coronavírus no estado, o governo anunciou ontem (19) que assinará um decreto determinando que os hospitais não desmobilizem os leitos que foram criados para atender exclusivamente pacientes da Covid-19.


Além disso, também serão suspensos os novos agendamentos de cirurgias eletivas de outras doenças, aquelas de casos que não são considerados emergenciais. Os atendimentos haviam sido retomados nos meses anteriores, quando houve queda dos indicadores da Covid-19.


A correria foi grande ontem e o secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn declarou: "Essa elevação da curva [de internações] promove a necessidade de medidas estratégicas. Dessa maneira, o governo assina um decreto que determina a todos os hospitais públicos, filantrópicos e privados a não desmobilização de qualquer leito, seja ele de UTI ou de enfermaria, voltados para o atendimento do Covid-19. Assim como a não realização de novos agendamentos de cirurgias eletivas, para que dessa forma possamos garantir leitos para todos os pacientes com Covid".


Da mesma forma, a Prefeitura de São Paulo negou que a cidade enfrente uma nova onda de Covid-19, mas afirmou que abriu 200 novos leitos para tratar casos leves da doença. Ora, se não há nova onda da doença, por que abrir 200 novos leitos?

Vale lembrar que tanto João Dória como Bruno Covas fizeram vistas grossas no começo da pandemia (janeiro) quando o vírus já circulava em São Paulo e permitiram a realização do carnaval, que foi a alavanca para infestação da doença. Foram irresponsáveis e não tiveram coragem de barrar o carnaval e o vírus chinês. Agora, João Dória está desesperado exigindo que o governo federal libere recursos para a compra fenomenal que ele fez antecipadamente da vacina chinesa, que sequer tem comprovação de eficiência e nem autorização da Anvisa.


Após críticas por congelamento da classificação do Plano São Paulo, que define regras mais duras ou brandas da quarentena, o governo também decidiu voltar a realizar a análise a cada 14 dias, e não mais a cada mês. É certo que depois da eleição do segundo turno voltarão as restrições nas cores laranja e vermelho!