“O único meio de eliminar o racismo é identificá-lo e e então derrubá-lo"

Afirmação acima, de Ibram X. Kendi, autor de best-sellers do New York Times, diretor-fundador do Antiracist Research and Policy Center na American University e vencedor do National Book Awards

 

Afirmação acima, de Ibram X. Kendi, autor de best-sellers do New York Times, diretor-fundador do Antiracist Research and Policy Center na American University e vencedor do National Book Awards, resume brilhantemente a urgência da prática antirracista, que se dá nas atitudes mais cotidianas e é uma luta de todas e todos.

Já há muitos anos se solidifica a percepção de que o racismo - um sistema de opressão que nega direitos, e não apenas um simples ato de vontade de um sujeito - está arraigado em nossa sociedade, criando desigualdades e abismos sociais.

Negação, silêncio, raiva, medo, culpa... essas são algumas das reações mais comuns quando se diz a uma pessoa que agiu, geralmente sem intenção, de modo racista. Ser abertamente racista não é algo socialmente aceitável. Ninguém quer ser visto assim. Mas cada vez que se nega o racismo, impedimos que ele seja abordado e que nossos preconceitos sejam discutidos.

Nossa proposta neste 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra é que todos comecem a ouvir melhor, estabeleçam conversas mais honestas e reajam a críticas com educação, tentando se colocar no lugar do outro. Não basta apenas sustentar visões liberais ou condenar os racistas nas redes sociais. A mudança começa em cada um de nós. Não basta não ser racista. Sejamos antirracistas! Uma ótima dica é ler os livros sugeridos abaixo:

Como ser Antirracista

Em Como ser Antirracista (Editora Alta Cult, 320 páginas), Ibram X. Kendi, o autor de Stamped from the Beginning, vencedor do National Book Award, traz uma abordagem estimulante e original para compreender e extirpar o racismo e a desigualdade da nossa sociedade - e de nós mesmos.

O antirracismo é um conceito transformador que reorienta e reenergiza o debate sobre o racismo - e, ainda mais importante, nos mostra novos modos de pensar sobre as pessoas e nós mesmos.

O racismo é, essencialmente, um sistema poderoso que cria falsas hierarquias de valor humano; sua lógica distorcida vai além da raça, da forma como consideramos as pessoas de diferentes etnias ou cor de pele à forma como tratamos pessoas de diferentes sexos, identidades de gênero e tipos físicos.

O racismo se intersecciona com a classe, a cultura e a geografia, e até muda o modo como nos vemos e nos valorizamos. Em Como Ser Antirracista, Kendi leva os leitores por um amplo círculo de ideias antirracistas - dos conceitos mais básicos a possibilidades visionárias - que ajudarão os leitores a ver todas as formas de racismo com clareza, compreender suas consequências tóxicas e agir para rejeitá-las em nossos sistemas e em nós mesmos.

Numa obra essencial para todos que querem ir além da consciência do racismo e atingir o próximo passo: contribuir para a formação de uma sociedade justa e igualitária, Kendi entrelaça uma estimulante combinação de ética, história, leis e ciência com sua própria história do despertar para o antirracismo.

“Ibram Kendi usa a própria jornada pela vida para nos mostrar por que se tornar antirracista é tanto essencial quanto difícil. Dividido igualmente entre memórias, história e críticas sociais, este livro é franco, corajoso e, principalmente, libertador”, elogiou James Forman Jr., vencedor do Prêmio Pulitzer por "Locking Up Our Own".

“Inovador… Kendi esmiúça por que, em uma sociedade em que tão poucos se consideram racistas, as divisões e desigualdades do racismo continuam tão prevalentes. Como Ser Antirracista ataca os mitos de uma América pós-racial, examinando o que o racismo realmente é - e o que devemos fazer a respeito dele”, afirmou a Revista TIME.

Racismo sem racistas

A brutal e fatal abordagem a George Floyd por quatro policiais nos Estados Unidos em junho, gerando protestos antirracistas por todo o planeta, é terrivelmente simétrica àquela que sofreu uma comerciante negra em São Paulo imobilizada por um policial pisando em seu pescoço um mês depois.

A face mais terrível e covarde do racismo mostra-se quando está naturalizada e operacionalizada pelas instituições e representantes do Estado, sem que que pareçam manifestamente racistas.

O livro Racismo sem racistas: O racismo da cegueira de cor e a persistência da desigualdade na América (Editora Perspectiva, 512 páginas), de Eduardo Bonilla-Silva, mostra com clareza as formas e a intensidade do racismo estrutural impregnado na sociedade norte-americana e, por extensão, na brasileira, porque as similitudes são evidentes.

Se quisermos desmontar as estruturas da desigualdade, conclui o autor, teremos de desmantelar as estruturas de poder, opressão, dominação e preconceito. Porque são uma e mesma coisa.

Ao eleger Obama em 2008, os Estados Unidos da América pensavam ter deixado para trás o racismo institucionalizado que caracterizara sua história. Hoje, sabe-se que o que ficou para trás foi essa ilusão.

Racismo sem racistas é um livro para quem quer entender como o racismo se perpetua, consciente ou inconscientemente disfarçado em um discurso contestatório do politicamente correto. Mas também, e principalmente, para aqueles, a grande maioria neste país, que ainda acham que a melhor maneira de combater o racismo é fazendo de conta que ele não existe.

Professor de Sociologia na Universidade Duke, formado na Universidade do Porto em Sociologia e Economia em 1984, Eduardo Bonilla-Silva demonstra, com base em análises de casos e pesquisas de campo, como o discurso e a noção de que a cor da pele não importa (o “racismo da cegueira racial”) vêm sendo instrumentais para a permanência do preconceito.

O autor desmascara os argumentos, as frases feitas e as narrativas que os brancos nos EUA usam para justificar a desigualdade racial. Esse não é, no entanto, um problema circunscrito a norte-americanos, como sabemos e como a polícia (daqui como de lá) constantemente nos lembra.

“Democracia racial” por definição, o Brasil tem larga experiência em disfarçar o racismo na sisudez das planilhas dos economistas. Inconveniente como todo bom cientista social, Bonilla-Silva nos faz reconhecer o racismo nosso de cada dia - nos outros, mas também em nós mesmos.