MULHERES: Coletivo diz que eleição em Marília trouxe avanços

Pela primeira vez a cidade teve uma candidata a prefeita; duas mulheres foram eleitas para Câmara

Por Izabel Dias 

Nas eleições municipais do último dia 15 Marília teve pela primeira vez uma  mulher concorrendo ao cargo de prefeita; Nayara Mazini obteve 5.498 votos. A Câmara dos Vereadores a partir de 2021 terá duas mulheres eleitas: professora Daniela no segundo mandato e Vânia Ramos para primeira legislatura.

A representatividade da mulher na política em Marília apesar de tímida é vista de forma positiva. Para psicóloga, professora e pesquisadora Camila Mugnai, uma das fundadoras do Coletivo de Mulheres Marília, é um marco histórico a cidade ter pela primeira vez uma mulher candidata a prefeita.  “Vimos que foi positivo, já repercutiu nos partidos. Levantou o debate da importância da mulher na política, não apenas para cumprir a cota, mas como formação de liderança”, disse.

Camila Mugnai afirma que em relação a Câmara dos Vereadores houve o avanço de aumentar o número de mulheres de uma para duas, mas poderia ir além. “Claro que uma a mais pode fortalecer a luta, mas ainda nos preocupa porque são só duas. E são mulheres que não tem aproximação com nosso movimento. E queremos nos aproximar para cobrar representatividade”.

O Coletivo foi criado em 2018 com objetivo de unir mulheres da cidade na luta por uma sociedade mais justa e inclusiva para todos. É um movimento social suprapartidário, laico, sem fins lucrativos e pacífico. Durante a campanha eleitoral deste ano, o Coletivo divulgou um manifesto com as pautas defendidas pelo grupo e convidou todas as candidatas da cidade que se comprometessem com o manifesto a participarem de Lives e discussões.

Segundo Camila Mugnai, Marília teve cerca de 100 mulheres candidatas a vereadora e apenas 10%  procurou o coletivo se comprometendo com o manifesto. As candidatas que aceitaram participaram de sabatina realizada pelas integrantes do Coletivo. “Somos um movimento apartidário e não fizemos campanha para nenhuma candidata. Apenas buscamos o compromisso delas de lutarem por uma sociedade mais justa para todos, priorizando os direitos humanos, a diversidade, contra violência doméstica, entre outras pautas”, disse.

A psicóloga afirmou que muitas mulheres candidatas  evidenciaram a dificuldade de tentar uma vaga na política, sem investimento na campanha e muitas vezes convidadas a se candidatar apenas para cumprir a cota mínima de mulheres exigida pelo partido. “É muito difícil ainda. Ter mais mulheres na política é fundamental para começar a mudar. A cidade poderia ter votado em mais mulheres. Tinha muitas candidatas capacitadas”, disse. Camila Mugnai afirma que não basta apenas eleger mulheres; é necessário que uma vez no mandato elas não reproduzam o mesmo processo excludente que ocorre na política em relação às mulheres. “Esperamos que a cidade de Marília avance nesse aspecto”.

O Coletivo de Mulheres Marília vai retomar para o próximo ano as eleições para reativar o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, que está inativo desde 2017. O edital da eleição chegou a ser divulgado mas foi suspenso em razão da pandemia. A expectativa é de que em 2021 a eleição seja realizada de forma com as medidas prevenção ao coronavírus.