editorial

                     Barroso e as trapalhadas do TSE

 

Foi um verdadeiro fiasco a “super” tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral na divulgação dos resultados das eleições no último domingo, com atraso de mais de duas horas. Mesmo assim, o ministro presidente do TSE, Luiz Roberto Barroso afirmou que a máquina que fez as contagens era nova e, em razão da pandemia, atrasou para chegar no Brasil. Com isso, dos cinco testes previstos, o equipamento só foi submetido a dois. “Em razão das limitações nos testes prévios, no dia da eleição, a inteligência artificial do equipamento demorou a realizar o aprendizado para processar os dados no volume e velocidade com que chegavam. Daí sua lentidão e travamento que exigiu que a totalização fosse interrompida e reiniciada”, disse o ministro. Mas que desculpa esfarrapada deu o ministro para a incompetência visível do TSE.


Mas não foi só isso. Primeiro o ministro Barroso alegou ataques de hackers ao sistema de captação de resultados enviados pelos tribunais regionais eleitorais. Afirmou que a Corte sofreu ataques em massa com propósito difamatório. Segundo Barroso, “milícias digitais” divulgaram informações antigas enquanto as atuais ocorriam, no intuito de “desacreditar o sistema”. Até pediu investigação da Polícia Federal!                         


Também justificou o atraso na nova sistemática por orientação da própria Polícia Federal. A mudança no sistema de apuração dos votos das eleições deste ano foi aconselhada pela Polícia Federal ao TSE sob o argumento de que melhoraria "consideravelmente a segurança operacional". A corporação também afirmou que, mesmo com a alteração, o sistema do tribunal teria o potencial de continuar com um "desempenho satisfatório". Os argumentos constam de relatório da Polícia Federal enviado ao TSE em outubro de 2018.

No documento, a polícia disse que seria melhor o tribunal concentrar a totalização dos dados das urnas eletrônicas em Brasília. Antes, a soma era feita nos datacenters dos 27 TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e depois remetida ao TSE. Nas eleições municipais de 2020, a mudança na totalização dos votos levou a atrasos na divulgação parcial dos votos em todo o país. Até 2018, cada TRE fazia a recepção, verificação e soma dos votos. Cabia o TSE apenas proceder a leitura dos bancos de dados e a divulgação dos resultados. A corte, ainda na gestão da então presidente, ministra Rosa Weber, decidiu aceitar a recomendação da PF. O método, no entanto, não havia sido testado em eleições anteriores.


A verdade é que foi um verdadeiro espetáculo de trapalhadas sob a arrogância do ministro Luiz Roberto Barroso, que deveria ter reconhecido o erro e pedido desculpas ao País.


Mesmo assim, Barroso afirmou que não houve prejuízo à integridade dos dados, tampouco qualquer fraude nas eleições. Para que o sistema esteja melhor adaptado para o segundo turno, o tribunal pretende fazer pequenos ajustes que sejam necessários ao longo das próximas semanas. Lembrando que o segundo turno acontece em número reduzido de municípios, o que deve facilitar a divulgação dos resultados pelo TSE.