editorial

                        A segunda onda

 

O Brasil contabilizou na quinta-feira uma média móvel de 365 óbitos por dia devido à covid-19, número que compila dados dos últimos sete dias. Em 24 horas, foram registrados mais 34.640 casos e 926 mortes, segundo levantamento as secretarias estaduais de Saúde.


Desde o fim da semana passada, alguns Estados deixaram de reportar os números atualizados relativos à pandemia diariamente. O motivo, segundo o Ministério da Saúde, eram instabilidades no sistema. Pelo acúmulo de dados represados, o número de casos registrou um salto em algumas unidades federativas.


Mas a situação é realmente preocupante, principalmente porque governantes dos estados e municípios relegaram a segundo plano a vigilância sobre a pandemia do coronavírus, mais interessados na campanha política e nas eleições deste domingo. Cidades com mais de 200 mil eleitores ainda terão o segundo turno em dezembro e a farra vai continuar.


A população também não está ligada no perigo da disseminação do vírus, como se a pandemia já tivesse passado. Tanto que tem aumentado muito o número de aglomerações nas cidades, em pontos de passeios, bares, reuniões e festas em casas, chácaras e também nos clubes, que foram reabertos há pouco mais de um mês, com o relaxamento no mapa de cores do governador João Dória.


O número de internações por Covid-19 na região da Grande São Paulo chegou a 677 na quinta-feira (11) - o maior desde 30 de setembro, quando 724 pessoas foram hospitalizadas. “O ligeiro aumento mostra que devemos seguir em prontidão. Estamos também de olho no que acontece nos EUA e na Europa, que sempre antecipam o que vai ocorrer no Brasil com problemas respiratórios”, afirma o infectologista Renato Tardelli Pereira, diretor do Hospital de Pirituba.


O número total de casos chegou a 5.783.647 e de mortes, 164.332. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 5.064.344 brasileiros se recuperaram da doença e outros 364.575 seguem em acompanhamento.


O governador João Dória, que aparecia quase toda semana alertando para o perigo e mandando as pessoas ficarem em casa (#FiqueEmCasa) sumiu, só preocupado em comprar a (ainda inconfiável) vacina da China e com a campanha eleitoral. Ele escancarou as portas de tudo colocando São Paulo na fase verde, lotando bares, restaurantes, ônibus, metrô, trens e shoppings. Tudo para tentar reeleger Bruno Covas prefeito da capital. Mas a situação volta a ser grave e a segunda onda vem aí! Pelo menos o “aviso” já foi dado pela Europa e Estados Unidos, com hospitais lotados e muita gente morrendo pela Covid-19, exatamente pela falta de cuidados e do distanciamento social. Em Roma, os hospitais já estão lotados e estão sendo utilizados hotéis para as internações. Na França morre uma pessoa a cada 30 segundos por Covid-19, o que fez o governo agir rápido para proibir aglomerações, fechando bares e restaurantes, além de pontos turísticos. Inglaterra, Espanha e Alemanha também registram a segunda onda do coronavírus, com muitas restrições e já falam em “lockdown”.


A situação no Brasil deve piorar ainda mais neste final de ano com as eleições, aglomerações das vendas na Black Friday, Natal e, principalmente, Ano Novo que terá praias lotadas nas comemorações.


Enquanto isso, continua a torcida para que as pesquisas possam levar a uma vacina confiável e eficiente, o que poderá acontecer somente no ano que vem. Se não houver vacina até a chegada do frio (outono/inverno) no Brasil a segunda onda será inevitável elevando consideravelmente o número de mortes pela Covid-19. Todo cuidado será pouco e ainda não há nada para comemorar!