editorial

A polêmica, longe de acabar!

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu os testes da vacina Coronavac, testada contra o novo coronavírus, após o registro de evento adverso grave (morte de paciente que tinha feito teste). O órgão federal não detalhou qual foi o problema registrado com o imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantã em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O produto está em fase três de testes.


"O evento ocorrido no dia 29/10 foi comunicado à Anvisa, que decidiu interromper o estudo para avaliar os dados observados até o momento e julgar sobre o risco/benefício da continuidade do estudo", disse a Anvisa em nota.


Foi mais um “round” na disputa política pela vacina ideal entre o governador de São Paulo João Dória e o presidente da República Jair Bolsonaro. Foi um balde de água gelada em cima do governador de São Paulo, que tinha acabado de anunciar a chegada de 120 mil doses da vacina chinesa para o dia 20 de novembro.


Não há dúvida de que Dória tem exagerado na campanha pela vacina do país asiático (onde surgiu o vírus). Tudo em nome da política, já que Dória é declarado candidato à presidência da República em 2.022 e se julga o principal concorrente de Jair Bolsonaro. Pode nem ser assim, já que o governador tem sido muito criticado no estado por decisões que têm prejudicado a população, principalmente os aposentados e pensionistas com a reforma previdenciária de São Paulo. Sem falar da retirada de benefícios baixando alíquota do ICMS (e aumentando impostos).


Infelizmente, a arrogância de João Dória tem colocado em risco a saúde da população no estado, com essa insistência na vacina chinesa que ainda precisa de muito mais tempo para testes. Outros laboratórios também estão nessa corrida contra o tempo para encontrar a vacina ideal e não interessa ao País qual delas terá comprovação de 100% em sua eficiência, com aprovação pela Anvisa. Não interessa ao povo as negociatas de Dória com o governo chinês, que já vêm de longa data.


A população já enfrenta o medo da pandemia desde o início do ano e fica muito difícil de acreditar na eficiência de uma vacina que ainda está em teste cujos resultados não têm sido positivos, inclusive com o registro da morte de um voluntário que recebeu dose da CoronaVac.


Segundo a agência reguladora, a interrupção dos testes é prevista pelas normativas da Anvisa e faz parte dos procedimentos de boas práticas clínicas esperadas para estudos clínicos conduzidos no Brasil.


"Com a interrupção do estudo, nenhum novo voluntário poderá ser vacinado", disse a Anvisa, acrescentando que os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes.


Ainda faltam dois anos para a eleição presidencial e a vacina não pode ser moeda e nem motivo de campanha por João Dória, nem pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. O país espera por uma vacina confiável, eficiente e que possa imunizar a população contra o coronavírus e que não tenha “padrinhos políticos”, pois isso não interessa aos eleitores, que ficarão bem atentos aos candidatos fake e que enganam e prejudicam o povo.