Educação empreendedora transforma rotina de professores

Docentes de diferentes regiões integram um dos projetos de fomento à educação empreendedora realizado pelo Sebrae

 “A educação empreendedora desperta sonhos nos alunos”: é assim que a professora Viviane Souza Cruz define a importância da inclusão de iniciativas relacionadas ao empreendedorismo na grade curricular da educação brasileira. A docente integra um dos projetos de fomento à educação empreendedora realizado pelo Sebrae.

Ontem (15) foi comemorado o dia dos professores, data oportuna para dar luz a casos que ilustram os resultados obtidos com o desenvolvimento da cultura empreendedora nas escolas.

Viviane é professora há 15 anos da rede pública municipal de Wenceslau Braz, no Paraná. Ela é uma das representantes do projeto Jovens Empreendedores Primeiros Passos, iniciativa do Sebrae em parceria com o governo local, que visa proporcionar dentro da escola, uma cultura favorável ao desenvolvimento de atitudes, capacidades e valores que promovam o empreendedorismo: criatividade, inovação, organização, planejamento, responsabilidade, liderança, colaboração, visão de futuro, assunção de riscos, resiliência, curiosidade científica, entre outros.

Durante esse ano, mesmo com a pandemia do coronavírus e a suspensão das aulas presenciais, Viviane deu continuidade ao projeto, incentivando os alunos a usarem a criatividade para promoverem ações de alto impacto social. “Nós trabalhamos reunindo teoria e prática, recebemos do Sebrae cartilhas com histórias ilustradas relacionados a um tema central. Eu destrincho esse tema em vídeos, áudios e atividades animadas, propondo o desenvolvimento de algum produto ou serviço pelos alunos. Nesse ano, fizemos muitos fantoches e recolhemos material reciclável. Por fim, realizamos uma feira de empreendedorismo, na qual todo o lucro arrecadado é voltado para a realização de um passeio à escolha dos alunos”, resume a professora.

Em razão da pandemia, a feira será readaptada para um catálogo, uma espécie de revista com foto e descrição de tudo que foi produzido pelos estudantes. Viviane conta que apesar da distância, o engajamento é alto. “Cerca de 90% dos alunos participam de um jeito ou de outro. É muito interessante, pois quando comecei o projeto eu perguntei o que eles sonhavam em ser e muitos não tinham metas definidas. Hoje em dia a maioria já tem sonhos e a educação empreendedora tem esse poder. Acho um espetáculo essa preocupação do Sebrae em incentivar desde cedo o empreendedorismo”, afirma.

 

O professor Célio Barbosa dos Santos é outro agente de transformação social através da educação empreendedora. A cidade de Campos Novos, em Santa Catarina, já colhe frutos do trabalho do projeto Despertar, desenvolvido pelo Sebrae em parceria com o governo estadual. Depois de ter passado pelas fases de capacitação e treinamento do Sebrae, hoje Santos atua com jovens no Ensino Médio, estimulando o protagonismo juvenil e a participação social em ações que impactam a vida na cidade. “Temos diversos projetos em desenvolvimento e dois já em atuação que merecem destaque. O Apoio Animal promove a castração de animais em situação de rua e arrecadação de alimentos. O Empatia GZ surgiu com a pandemia, nós colhemos doações de roupas e materiais de higiene, como o álcool em gel, para distribuição à população carente. Ambas as iniciativas tem apoio do poder público local”, destaca o docente.

Na avaliação de Santos, a pandemia e a falta de recursos tecnológicos impedem a adesão de alguns alunos, mas segundo ele, os resultados são extremamente satisfatórios dadas as condições atuais. “Nós levamos o conteúdo de inovação e empreendedorismo de uma maneira leve, usando os recursos que temos: vídeos, aulas online, interação por grupos de Whatsapp. Mesmo com o distanciamento social, chegamos a 70% de adesão dos alunos. Se não fosse a pandemia, acredito que seria melhor ainda”, afirma.

O professor completa dizendo que além do conteúdo que ele produz, apresenta aos alunos depoimentos de empreendedores locais e outras lideranças para incentivar o desenvolvimento de competências empreendedoras, cidadania ativa, inclusão social e empregabilidade. “Nosso maior resultado é ver os alunos atuando em ações que mudam substancialmente a nossa comunidade”, comemora.