editorial

Vacina no centro da disputa política

 

João Dória, o pavão que habita o Palácio dos Bandeirantes, se apressou em fazer negócios com a China, desde a compra de respiradores com preços superfaturados (investigada pelo Ministério Público) até abrir as portas para a entrada de empresas chinesas com as privatizações de estatais paulistas. Mas, de olho na campanha eleitoral pela presidência da República, em 2.022, João Dória correu, mais uma vez, para anunciar a chegada da vacina CoronaVac do laboratório chinês (tudo é comandado pelo partido comunista) e a vacinação para todo o Brasil através do SUS.


Mas há um detalhe muito importante: a vacina está sendo testada e produzida num consórcio entre a China e o Instituto Butatan, em São Paulo. Para que seja distribuída pelo SUS para vacinação da população brasileira é necessário que o governo federal invista e compre essa vacina (ainda não confiável totalmente), o que não aconteceu até agora.


Com isso vem à tona uma disputa eleitoral descarada e inaceitável pela presidência da República. Ou seja, o governador João Dória, quer fazer cortesia com chapéu alheio. Ele nunca poderia ter anunciado a vacinação para a população através do SUS. Deveria ater-se a prometer vacina para a população do estado de São Paulo, que será paga com o dinheiro do contribuinte paulista.

Agora o secretário de saúde do estado, Jean Gorinchteyn, quer posar de vítima, lamentando que até agora do Ministério da Saúde não liberou dinheiro para a compra da vacina CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.


A gestão João Doria tenta negociar para que a CoronaVac receba verba federal para ser distribuída pelo SUS, caso seja comprovada a eficácia na terceira fase de testes. O secretário disse que a compra de doses adicionais, além das 61 milhões já garantidas pelo governo estadual, será "inviável" sem esses recursos.


Ora, João Dória não deveria fazer o estardalhaço eleitoreiro ao anunciar a vacina através do SUS, que não é de sua alçada. Ele quer jogar o presidente Jair Bolsonaro no centro do furacão para tirar proveito visando sua campanha à presidência da República em 2.022. Mas, o jogo é duro, difícil e ele sabe que Bolsonaro não vai ceder, mesmo porque não há comprovação da eficácia da vacina chinesa para combater o vírus que a própria China espalhou pelo mundo.

O governo federal está empenhado na compra de vacina para o SUS, mas não tem que ser exatamente a chinesa defendida com unhas e dentes pelo governador de São Paulo.


Em reunião virtual realizada na tarde de quarta-feira, o Ministério da Saúde apresentou um cronograma de vacinação da população contra o coronavírus para 2.021 e anunciou investimento de R$ 1,9 bilhão para compra da vacina da AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford. Isso irritou o secretário de Dória, Jean Gorinchteyn, que reclamou chorosamente: "Por que que uma vacina como a CoronaVac, que está no mesmo pé da de Oxford, aliás está até mais adiantada, está recebendo uma tratativa diferente? Por que a de Oxford recebe uma medida provisória com R$ 1,9 bilhão? A gente nem está pedindo esse valor, mas a gente quer um aceno do ministério na aquisição também da vacina chinesa. Isso é algo democrático".


Hummm!!! Isso é muito suspeito! Por que essa insistência desenfreada pela compra da vacina da China? Quais compromissos foram assumidos pelo governador João Dória com o país comunista de Xi Jinping? Estaria Dória esperando recursos de lá para sua campanha eleitoral em 2.022? Vai quebrar a cara!