editorial

 

Dória repassa para contribuintes rombo da pandemia

 

O governador de São Paulo, João Dória, do PSDB, tanto fez que acabou conseguindo votos suficientes na Assembleia Legislativa para aprovar o projeto que visa cobrir o rombo (segundo ele) de R$ 10,4 bilhões por causa da pandemia. A conta, claro, vai ficar para os contribuintes com aumento de impostos, modificações na alíquota do ICMS, além do fechamento de estatais.

Ora, ele deveria cobrar do governo chinês, que foi o responsável por espalhar o vírus pelo mundo todo, já que ele é tão amigo do presidente Xi Jinping e dos empresários com quem tem fechado vários acordos comerciais. Inclusive fez compra superfaturada de respiradores da China, investigada pelo Ministério Público e Tribunal de Contas.

O projeto de Doria, um dos mais importantes e polêmicos de sua gestão, foi apresentado à Assembleia no dia 13 de agosto. Inicialmente, a proposta abarcava uma série de temas, como aumento de impostos, uso da verba da Fapesp e das universidades estaduais e extinção de dez órgãos públicos. No plenário, a matéria sofreu sete derrotas consecutivas, com deputados derrubando as sessões por falta de quórum.


Mas, como sempre acontece na política, o que vale mesmo é a negociata com os parlamentares, que são ávidos por recursos do dinheiro público para fazer política. Ainda mais agora, em tempos de campanha eleitoral!


Deputados relataram a oferta pelo governo de R$ 20 milhões em emendas para quem votasse favoravelmente ao projeto. Mas o texto extenso e com temas diversos trazia pontos que desagradavam a esquerda petista, a direita bolsonarista, deputados do Novo e mesmo deputados da base.


Por fim, o governador João Dória cedeu em diversos pontos e alcançou maioria. Doria abriu mão de extinguir a Fundação para o Remédio Popular (Furp), a Fundação Oncocentro (Fosp), o Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc) e a Fundação Instituto de Terras (Itesp); preservou os fundos da Fapesp, das universidades e da segurança pública; e desistiu das novas regras do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos).

Os trechos do projeto que garantem tais mudanças, porém, ainda serão votados pela Assembleia Legislativa, já que não houve tempo já na madrugada de quarta-feira.


Foram extintos, porém, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), a Fundação Parque Zoológico e o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp).


Além disso entrou em jogo a disputa pela prefeitura da capital paulista. O projeto teve oposição dos deputados estaduais e candidatos à prefeitura Marina Helou (Rede) e Arthur do Val (Patriota), além do voto contrário das bancadas do PT, PSOL, PC do B e de parte do PSL, que lançaram seus candidatos à prefeitura —Jilmar Tatto (PT), Guilherme Boulos (PSOL), Orlando Silva (PC do B) e Joice Hasselmann (PSL). Apesar de Márcio França ser candidato a prefeito parte do PSB votou favorável ao projeto, inclusive o deputado Vinícius Camarinha.

O presidente Jair Bolsonaro, que considera Doria um inimigo político, apoia Celso Russomanno (Republicanos) para a prefeitura,mas o Republicanos compõe a base de governo do tucano e, em sua maioria, votou a favor do projeto. Russomanno afirmou ser contrário ao projeto de Doria, mas não comentou o fato de o Republicanos ser a favor. "Inclusive o Governo do Estado agora tenta aumentar os impostos disfarçadamente aumentando o ICMS através de um projeto. O governador tenta agora aumentar os impostos para suprir a deficiência que ele mesmo causou", cutucou Russomano. Mas uma coisa é certa: a conta desse projeto “monstro” vai sobrar para os paulistas!