editorial

Uma eleição polarizada

 

Pode não ser exatamente o que a população mariliense esperava para a eleição deste ano, já bastante diferente por causa da pandemia do coronavírus. Mas, infelizmente, o cenário já mostra que a eleição será, mais uma vez, polarizada entre o prefeito que busca a reeleição e a oposição mais forte na cidade sob o comando da família Camarinha. Já foi assim na eleição passada e em tantas outras.


Fica até difícil de se entender que com tantos candidatos a prefeito (e serão nove neste ano) ainda haja a detestável polarização entre dois deles. Lógico que é preciso levar em conta vários fatores que na verdade levam o eleitorado a escolher maciçamente entre um e outro. Neste caso, o prefeito Daniel Alonso, do PSDB e o eterno candidato da oposição, ex-prefeito e ex-deputado Abelardo Camarinha, do Podemos.


Mas por que não escolher e votar em outros candidatos que são opções na eleição de novembro? O principal fator é que Marília é uma cidade de direita e isso já coloca os candidatos de esquerda de escanteio, ainda mais sendo pouco conhecidos e de baixa relevância na política local.


E as outras opções? Acontece que os nomes apresentados e escolhidos nas convenções partidárias também não chamam a atenção do eleitorado. Nem mesmo o atual vice-prefeito Tato Ambrósio, do MDB, que rompeu com o prefeito Daniel Alonso já há algum tempo e agora se lança mais uma vez na corrida pela Prefeitura de Marília. Ele já foi candidato na eleição de 2.012 quando obteve apenas 7.705 votos, o que significou 6,46% dos votos nas urnas daquele ano, apesar da “estridente” campanha eleitoral com enormes carreatas pela cidade. Naquela eleição, a população escolheu Vinícius Camarinha (PSB) com 51,78% dos votos, ficando em segundo lugar Ticiano Toffoli (PT) com 19,54% e Daniel Alonso (PSDB) com 19,28%. Tato foi apenas o quarto colocado.

A união de Daniel Alonso e Tato na eleição de 2.016 evitou a reeleição de Vinícius Camarinha.


Neste ano, o representante da família será o ex-prefeito Abelardo Camarinha e tudo leva para a polarização com o prefeito Daniel Alonso, que vai tentar a reeleição. Assim, nem mesmo Tato Ambrósio parece ter força política para interferir no processo e evitar a disputa polarizada. Lógico que vai depender muito da campanha curta para a eleição de 15 de novembro. Inclusive com a possibilidade de Abelardo Camarinha não ter confirmada a candidatura por condenação na justiça eleitoral, o que poderá ser decidido muito próximo da eleição. Se ele não puder ser o candidato a prefeito, será substituído pela vice, Paulo Alves, do PP. E isso pode alterar muito a disputa eleitoral neste ano. Já os demais candidatos, pelo que parece até agora, serão apenas coadjuvantes no pleito de novembro. A não ser que haja uma grande surpresa nesses novos tempos de campanha diferenciada e calcada nas mídias sociais, bem diferente de outros tempos das aglomerações de showmícios, hoje proibidos. Além disso, há que se levar em conta o desinteresse cada vez maior das pessoas, o que fará registrar altíssima abstenção nas urnas este ano, sendo que na eleição passada já deixaram de votar 30.961 eleitores, quase 20% do eleitorado.