editorial

                    Impeachment de Dória

 

Não se pode dizer que o governador de São Paulo, João Dória, vive uma situação confortável em sua administração, mesmo porque despencam críticas por todos os lados, principalmente por causa de medidas esdrúxulas tomadas durante a pandemia do coronavírus, discriminando regiões e cidades. Se João Dória teve uma eleição espetacular para chegar ao governo paulista, com apoio enorme da população, hoje a situação está muito diferente, o que vai atrapalhar inclusive sua pretensão de concorrer à presidência da República em 2.022. Ou até mesmo uma reeleição ao governo de São Paulo. Mesmo porque Dória já começou a perder terreno ao se colocar como crítico do governo do presidente Jair Bolsonaro.


A situação hoje é muito delicada, a ponto de deputados estaduais da oposição protocolarem na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) na quinta-feira um pedido de impeachment do governador João Doria (PSDB).


O grupo formado por parlamentares de sete partidos, diz que não há transparência do governo na prestação de contas durante o estado de calamidade pública por causa da pandemia do novo coronavírus. No documento, Doria é acusado de crime de irresponsabilidade.


O pedido partiu da deputada estadual Valéria Bolsonaro (PSL), e foi assinado por assinado outros parlamentares como Frederico D’Avila (PSL), Gil Diniz (PSL), Douglas Garcia (PTB), Castello Branco (PSL), Danilo Balas (PSL) e Major Mecca (PSL). A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) subscreve o pedido, segundo informações do portal Metrópoles. No texto, os deputados citaram desvios e criticaram a compra de 3 mil respiradores da China, quando mais de R$ 240 milhões foram enviados ao país asiático por aparelhos que não chegaram ao Brasil.


De acordo com o pedido de impeachment, contra Doria existem “inúmeros casos de desvio de conduta, com compras fraudulentas, superfaturamento por preços excessivos, compra de respiradores, testes, equipamentos de proteção individual, falsidade ideológica de documentos oficiais e utilização de empresas de fachada administradas por interpostas pessoas”.

Em nota, os políticos alegam desvios descritos como a compra de três mil respiradores da China, com um envio antecipado de mais de R$ 240 milhões e sem receber ao menos um aparelho em solo nacional. Também denunciam o sobrepreço de produtos e eventual beneficiamento indevido de terceiros em contratações emergenciais pelo governo de São Paulo e, desta vez, os produtos foram luvas cirúrgicas. Em caso de condenação, Doria pode perder o mandato e ficar impossibilitado de exercer qualquer função pública pelo período de 8 anos.


Todo mundo sabe que o governador João Dória ainda tem maioria na Assembleia Legislativa paulista, mas não deixa de ser uma dor-de-cabeça a mais, tendo que se desdobrar politicamente para evitar que o mal cresça e apareça, podendo sofrer um revés. É lógico que ele conta com a preciosa colaboração do presidente da Alesp Cauê Macris, do mesmo partido dele, o PSDB, que poderá engavetar o pedido de impeachment e nem levar à votação do plenário. Mas não deixa de ser desmoralizante para o governador João Dória!