Máquina do Ódio

Em A Máquina do Ódio (Companhia das Letras, 196 páginas), Patrícia Campos Mello discute como as campanhas de difamação podem ser consideradas uma nova forma de censura

Em A Máquina do Ódio (Companhia das Letras, 196 páginas), Patrícia Campos Mello discute como as campanhas de difamação podem ser consideradas uma nova forma de censura, terceirizada e difundida pelos exércitos de trolls patrióticos repercutidos por robôs no Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp , cujas principais vítimas são jornalistas mulheres.

Dias antes do segundo turno da eleição de 2018, ela publicou a primeira de uma série de matérias sobre o financiamento de disparos em massa no WhatsApp e de redes de disseminação de notícias falsas, na maioria em benefício do então candidato Jair Bolsonaro. Desde então, a repórter se tornou alvo de violentos ataques intimidatórios por parte do chamado gabinete do ódio e de suas milícias digitais.

Patrícia também acompanhou a utilização crescente das redes sociais nas eleições internacionais que cobriu: nos Estados Unidos, em 2008, 2012 e 2016; na Índia, em 2014 e 2019. À experiência de observadora do avanço dos tecnopopulistas e seu “manual para acabar com a mídia crítica”, somou-se a de protagonista involuntária no front de uma guerra contra a verdade.

Em meio à ascensão de governos exímios em manipular os fatos e no contexto da terrível pandemia de Covid-19, a imprensa tem uma oportunidade única de renascer. Relato envolvente de um dos capítulos mais turbulentos de nossa história recente, A Máquina do Ódio é também um manifesto em defesa da informação.