Cliente do pós-pandemia busca "carros dos sonhos", dizem antropólogos contratados por Fiat e Jeep

Em abril, a FCA, dona das marcas Fiat e Jeep, anunciou que iria recorrer a antropólogos para entender como seria o comportamento dos clientes após o coronavírus.

Em abril, a FCA, dona das marcas Fiat e Jeep, anunciou que iria recorrer a antropólogos para entender como seria o comportamento dos clientes após o coronavírus.

Passados quase 5 meses, a pandemia ainda está longe de ter passado, mas o grupo de aproximadamente 40 pessoas descobriu que os consumidores estão buscando carros que oferecem maior prazer ao dirigir, ou que fazem parte do imaginário, como um "carro dos sonhos".

Essa é apenas uma das conclusões do grupo, que também levantou cerca de 150 ideias para que a empresa consiga se adaptar aos novos tempos.

Dessas, 40 foram classificadas em “com potencial”, e acabaram encaminhadas para as áreas, que irão estudar a viabilidade de cada uma.

Ainda que não tenha dito quais ideias devem ser colocadas em prática, Fred Battaglia, diretor de marketing da FCA comentou as mudanças de comportamento que a empresa e os clientes estão tendo desde que o coronavírus atingiu o país.

“As mudanças passam por manufatura, engenharia, adoção de novas tecnologias, conexão virtual com os consumidores. Queremos dar mais assistência ao cliente no processo de decisão e utilização do carro, depois na recompra dos veículos”, disse.

Também estão sendo consideradas ideias sobre novas formas de mobilidade. “Isso pode ser feito com desenvolvimento interno ou com parceria, nada está descartado”, completou Battaglia.

O executivo afirmou que a maior parte dos conceitos não poderá ser visto nos produtos, mas, sim, na forma de atendimento ao cliente. “O consumidor será mais bem atendido por ferramentas que a rede terá à disposição, seja com mídia ou com conteúdo para que ele tenha um processo de compra mais leve”, afirmou.

Um exemplo dado por Battaglia é que, antes da pandemia, cerca de metade dos clientes que preenchiam formulários no site não eram atendidos, ou eram de forma insatisfatória. Segundo ele, hoje o índice de resposta é de quase 100%, inclusive com tempos mais curtos. Isso ajudou a empresa a aumentar de 10% para 45% a porcentagem de vendas que tiveram início no preenchimento do cadastro.

Carros dos sonhos

Outro ponto que o grupo de antropólogos percebeu é que o consumidor tem se preocupado mais com o prazer ao dirigir na hora de escolher um carro. Versões mais caras de Fiat Strada e Jeep Compass, por exemplo, têm se saído melhor nas vendas do que as fabricantes esperavam.

“É uma tendência que parece mostrar que as pessoas estão indo atrás do carro que elas sonharam”, afirmou Fred Battaglia. No entanto, o executivo da FCA ainda diz ser muito cedo para saber se essa é uma tendência que irá alterar a participação de certos veículos na linha de uma fabricante, por exemplo.

Além da área de marketing, setores como engenharia e manufatura também devem se beneficiar do grupo de estudos. A partir daí, caberá ao responsável por cada área definir se a ideia deve ser implementada.