Família homenageia mãe que se recuperou da Covid após dez dias na UTI

Amigos fizeram corrente de orações e passaram em carreata para recebê-la quando chegou em casa após deixar hospital

 

Por Izabel Dias 

A família de Maria Florinda Valente Gomes, de 60 anos, preparou uma recepção cheia de emoção para recebê-la em casa no último sábado em Marília, quando teve alta do hospital após dez dias na UTI para se recuperar da Covid-19. Uma carreata de amigos passou por sua casa para homenageá-la.

Funcionária do setor de Recursos Humanos do Hospital das Clínicas e mãe de três filhos, Maria Florinda recebeu corrente de orações e muito carinho de toda família durante o período em que lutava contra doença. Mesmo em casa, a recuperação continua com fisioterapia respiratória duas vezes por dia.

A filha, a bancária Francine Valente Gomes Neves, também foi contaminada com o coronavírus mas não apresentou sintomas graves. A mãe teve o quadro agravado e necessitou permanecer por dez dias na UTI do HBU (Hospital Beneficente Unimar).

A internação da mãe deixou todos muito apreensivos. Francine conta que a família é católica e todos se apegaram às orações pedindo a recuperação de Maria Florinda. “Foi muito difícil, no início nos sentimos como num filme de terror. Emagreci cinco quilos nesses dias. Mas nós os três irmãos nos apegamos às orações e todos os dias rezávamos o Terço, inclusive fizemos uma penitência para ela. Meu irmão prometeu deixar de fumar e vai cumprir”, conta a filha.

Francine Neves afirma que a mãe inclusive precisou ser intubada e foi um momento muito difícil para toda família que ficou ainda mais preocupada. “Os médicos disseram que ela já estava usando 5 litros de oxigênio e não adiantava e por isso teriam que intubar. Disseram que ela é muito tranquila e isso também ajudou”.

A filha conta que outro momento difícil foi quando foi retirada a intubação e  sua mãe teria que respirar sozinha. “Achamos que ela não iria conseguir. É muito difícil a pessoa fica debilitada, fraca sem forças para respirar”.

Francine Neves disse que se impressiona com o comportamento da maioria das pessoas que está minimizando a gravidade do coronavírus. “É muito séria essa doença. Não desejamos isso pra ninguém. Parece que as pessoas só acordam quando acontece com alguém da família mas não precisa esperar isso acontecer pra se prevenir A coisa é séria demais, nem os encontros de família tem que acontecer porque não se sabe quem está contaminado. Essa doença é real e quem sobrevive ainda fica com sequelas. O médico disse que minha mãe só vai ter vida normal daqui quatro meses”.

A bancária agradeceu o atendimento e o carinho que sua mãe e toda família receberam da equipe de médicos e enfermeiros do HBU. “Todos do hospital foram ótimos, o médico nos dando notícia, enfermeiros, a psicóloga nos telefonava. Queremos agradecer a todos”, disse Francine.