Editorial

                 Rodrigo Maia arma novo golpe

 

A política brasileira está mesmo de ponta-cabeça e o Congresso Nacional faz o que bem entende, principalmente para privilegiar os próprios parlamentares. Na última eleição houve forte renovação tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal, mas não foi suficiente para desmontar os grupetos que dominam as duas casas, inclusive o chamado centrão, que aglutina vários partidos. Todos interesseiros, sempre em busca de verbas oficiais e cargos no governo, principalmente no primeiro e segundo escalões.


Lobos em pele de cordeiros há bastante, inclusive os presidentes das duas casas: Rodrigo Maia (DEM) na Câmara dos Deputados e Davi Alcolumbre (MDB) no Senado. Os dois são os principais articuladores no Congresso, inclusive para boicotarem projetos enviados pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas eles vão muito mais além, já tramando mudar o regimento interno que prevê eleições a cada dois anos para as Mesas do Senado e da Câmara. Ou seja, os presidentes das duas casas só podem ter dois anos de mandato. Mas os lobos em pele de cordeiro já se articulam para mudanças que possam viabilizar a reeleição deles por mais dois anos, fechando o mandato no Legislativo.


O primeiro golpe já aconteceu nesta semana, depois que o presidente Jair Bolsonaro procurou se aproximar do centrão para conseguir votos necessários para a aprovação projetos e Medidas Provisórias. Lógico que tudo à base da barganha! Mas a esperança do presidente Jair Bolsonaro de construir uma base de apoio no Congresso sofreu um abalo com as articulações para a sucessão na Presidência da Câmara. A redistribuição dos partidos em novos grupos enfraqueceu e isolou o Centrão, bloco parlamentar que recebeu cargos no governo em troca de apoio político. Para complicar ainda mais a situação, deputados desse grupo que pretendem disputar o comando da Casa estão sendo pressionados a mostrar independência do governo federal, movimento oposto à aproximação ocorrida no início do ano.


A formação dos blocos que disputarão a sucessão de Rodrigo Maia na Presidência da Câmara é o pano de fundo para a saída do DEM e do MDB do chamado “blocão”, comandado pelo líder do PP, Arthur Lira e que reúne também siglas do Centrão. Nos últimos meses, Lira tem atuado como articulador informal do governo no Congresso.


Por sua vez, DEM, MDB e PSDB pretendem formar uma frente de centro independente ao redor de algum candidato respaldado por Rodrigo Maia. Há aliados, inclusive, que ainda alimentam a esperança em uma possível reeleição do parlamentar autorizada pelo Judiciário. Afinal, Maia morre de amores pela presidência da Câmara (e até pela presidência da República). Até a eleição na Casa (só em fevereiro), haverá um acirramento dos ânimos, com prejuízos para a relação entre o Congresso e o Planalto e também para a agenda de reformas.