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Tapa com a mão do outro

 

“O imposto sobre transações financeiras é feio, mas não é tão cruel”, disse o ministro da Economia Paulo Guedes, insistindo em criar novo imposto incluído na reforma tributária. Foi a gota d´água para uma reação intempestiva do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que já vem em “guerra” com o governo há muito tempo, sempre procurando dificultar a tramitação de projetos e medidas provisórias.


Mas por que o ministro Paulo Guedes insiste tanto na criação de novo imposto, nos moldes da CPMF? Afinal de contas é o tipo de projeto que causa repulsa na sociedade e isso pode interferir negativamente no governo, ainda mais com o presidente Jair Bolsonaro se dedicando efusivamente a conseguir a reeleição. Será?


Lógico que por trás dessa investida de Paulo Guedes está a mão do presidente da República. Se ele não quisesse a criação do novo imposto, se fosse contra, o ministro baixaria a crista e diria amém. O presidente Jair Bolsonaro decidiu dar um tempo para o ministro da Economia, Paulo Guedes, testar a aceitação no Congresso Nacional da criação de um novo imposto sobre pagamentos eletrônicos. Mas, segundo auxiliares, Bolsonaro não vai fazer uma defesa pública do novo tributo. Sabe que é impopular defender a bandeira do aumento da carga tributária. “Se colar, colou. Mas o presidente não vai ficar levantando a bandeira da volta da CPMF ou algo do gênero. Ele tem instinto político”, afirmou um assessor.


Ou seja, Bolsonaro quer dar o tapa com a mão do ministro!


Mas a repercussão já tem sido muito negativa e pelo andar da carruagem o governo não terá força suficiente no Congresso Nacional para aprovar esse imposto, mesmo que o presidente abra os cofres e distribua a dinheirama para os parlamentares, que são ávidos por recursos públicos para fazer campanhas em seus estados.


Paulo Guedes quer amenizar o baque da proposta e afirmou que quer uma contribuição equivalente à antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), mas de forma “digital”. “A ideia é colocar uma terceira base sobre pagamentos comércio eletrônico.


No entanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já sinalizou que qualquer imposto que emule a CPMF, extinta em 2007, não passará na Câmara dos Deputados – pelo menos enquanto ele for presidente da Casa. Durante reunião da comissão especial que discute o tema, ele defendeu a união de esforços entre governo, Câmara e Senado para aprovar um texto mais consensual sobre a reforma tributária. O presidente da Câmara dos Deputados chamou de “jeitinho” a criação de um novo imposto para bancar a desoneração das folhas de pagamento das empresas. E foi enfático: “não passa!”. Disse que vai votar contra e que vai trabalhar para que a Câmara não aprove qualquer aumento de impostos.