Editorial

                            Até tu, Aras?

 

Não dá para entender a saga do alto escalão da justiça contra o excelente trabalho que vem sendo realizado pelo Ministério Público Federal em Curitiba, através da operação Lava Jato nos últimos cinco anos. Os resultados são excelentes e tem investigado expressivo número de políticos e empresários corruptos que há anos nadam de braçadas com o dinheiro público. É muito estranho que até o procurador-geral da República, Augusto Aras, invista contra o Ministério Público Federal de Curitiba, quando na verdade deveria apoiar as ações da operação Lava Jato. E isso levanta sérias suspeitas sobre “corruptos de estimação” que possam estar na longa lista de investigados. Quem sabe até o próprio Augusto Aras?


Só para explicar, a Procuradoria-Geral da República é a sede administrativa do Ministério Público Federal, localizada em Brasília. É na PGR onde estão lotados os 73 subprocuradores-gerais da República, último grau da carreira de membro do MPF, incluindo o procurador-geral da República, chefe da instituição.


A PGR atua perante o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral. O procurador-geral da República é quem designa os subprocuradores-gerais da República para atuarem nas turmas do STF, no STJ e no TSE.

Fica mesmo muito estranho que o chefe do Ministério Público Federal faça críticas veladas ao trabalho de seus comandados, enquanto a população brasileira aplaude e apoia a operação Lava Jato, pedindo que as investigações continuem e coloquem os corruptos na cadeia.


A preocupação de Augusto Aras é ridícula e suspeita. O procurador-geral da República disse que a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba tem mais dados armazenados que todo o sistema único do Ministério Público Federal e que esses dados contêm informações sobre 38 mil pessoas. Segundo Aras, o arquivo do grupo de procuradores de Curitiba tem 350 terabytes - já o do sistema MPF conta com 40 terabytes. "Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos", ponderou. Mas por que Aras está tão preocupado? Por que ele insiste em interferir no trabalho sério dos procuradores de Curitiba? A percepção é que as declarações do procurador-geral da República, Augusto Aras de que é hora de "corrigir rumos" para que o "lavajatismo" passe e seja substituído no Ministério Público por outro modelo de enfrentamento à criminalidade explicitaram a divisão no MPF. Tem muita gente torcendo o nariz e há críticas contundentes contra Aras.


“Há uma crise de desconfiança generalizada. A cúpula da PGR tenta controlar o órgão. Mas falta liderança na instituição. Ninguém aqui defende eventuais excessos. Mas isso não pode justificar um movimento para paralisar investigações e enfraquecer o combate à corrupção”, ressaltou um experiente subprocurador que pediu anonimato para evitar expor ainda mais a crise na instituição. O procurador-geral entrou em atrito com as forças-tarefa depois de a chefe da Lava Jato na PGR, Lindôra Araújo, se dirigir a Curitiba com o objetivo de obter acesso a dados de investigações. Uma interferência absurda que foi rechaçada pelo MPF paranaense. Isso acirrou os ânimos e as críticas de ambos os lados.


Augusto Aras está mais parecendo “Maria vai com as outras”, endossando críticas que já são feitas há muito tempo por ministros do Supremo Tribunal Federal, principalmente Gilmar Mendes. O que também levanta muita suspeita! Por que tanto medo? Seria em defesa dos corruptos de estimação, que eles mesmos colocam de voltas às ruas? Ou estaria no rol dos investigados? Todo mundo sabe, por exemplo, que o ministro Dias Toffoli foi citado na delação da OAS!


Mas uma coisa é certa: Aras é pau mandado, já veio com a intenção de boicotar a operação Lava Jato. Não por acaso, já que ele estava fora da tradicional lista tríplice do MPF, mas o presidente Jair Bolsonaro decidiu escolher um nome fora da lista. Ao optar pelo perfil de Aras, o presidente sinalizou o que desejava para a Lava Jato e para a própria PGR. É tudo farinha do mesmo saco!