Editorial

Quem protege a tucanada?

 

A denúncia feita pela operação Lava Jato de São Paulo contra o ex-governador e senador José Serra, do PSDB e sua filha Verônica, agitou o ninho tucano na sexta-feira. Foi um Deus nos acuda! Tem gente nem dormindo direito e esperando a Polícia Federal bater à porta. Mesmo porque o desgoverno tucano foi de lascar atolando na corrupção no estado, enquanto o governo do PT barbarizava no mensalão e petróleo, metendo a mão no dinheiro dos cofres públicos e também das empreiteiras, no plano federal.


Pois é, a tucanada nadava de braçadas em obras faraônicas principalmente na capital paulista com várias obras, inclusive o rodoanel em duas etapas: a parte Sul já concluída e a parte Leste mais atolada em suspeita de superfaturamento e sob investigação, ainda sem prazo para término.


A elite tucana estava mesmo deitada em berço esplêndido e achando que o mar de lama não chegaria ao umbigo. Pois é, um dia a casa cai! E pelo jeito desabou o teto do ex-governador José Serra, mesmo tendo lá ótimo relacionamento nas altas esferas da justiça, principalmente com ministros do Supremo Tribunal Federal, que costumam fazer vistas grossas para a corrupção de políticos e empresários do alto escalão.


Com a maior cara de pau, o senador José Serra, alvo da Lava-Jato após denúncia de suspeita de lavagem de dinheiro, se pronunciou sobre a ação deflagrada em endereços ligados a ele. Em nota, a assessoria do senador disse que "é lamentável que medidas invasivas e agressivas como a de hoje (sexta-feira) sejam feitas sem o respeito à Lei". "Uma ação completamente desarrazoada, a operação realizou busca e apreensão com base em fatos antigos e prescritos e após denúncia já feita, o que comprova falta de urgência e de lastro probatório da acusação", disse o tucano (agora de bico quebrado). Como não poderia deixar de ser, ele também disse que acredita na Justiça e afirmou que todos os atos de sua vida pública tiveram base "na licitude e na integridade". Cara de pau!


O buraco é bem mais fundo e nele já despencou um de seus principais assessores, Paulo Preto. Ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Paulo Vieira de Souza, conhecido como "Paulo Preto" já tinha sido denunciado pelo Ministério Público Federal por desvios na estatal paulista. Ele tem um passado cheio de polêmicas e envolvimento em escândalos de corrupção. Homem forte de José Serra, ele foi apontado como operador de propinas do partido por sete delatores da Lava Jato. Foi preso em 2.018, mas por causa do “bom relacionamento” de Serra com o STF, o ministro Gilmar Mendes o colocou na rua.

Paulo Preto recebeu cerca de R$ 24 milhões em propina em caixas enviadas por um ex-gerente da empreiteira Delta. Os repasses a Paulo Preto ocorreram em razão das obras de ampliação da marginal Tietê em 2009, durante a gestão do ex-governador José Serra, em São Paulo. O pagamento foi feito tanto antes da licitação como durante a execução da obra.


Então o passado de Serra não é bem como ele diz com atos de “licitude e integridade”. Delações de executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez investigadas na Justiça Eleitoral, no TJ-SP e pelas forças-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo e Curitiba apontam que o senador José Serra e outros políticos do PSDB paulista, além de operadores ligados ao grupo, cobraram ao menos R$ 97,2 milhões em propinas ao longo de oito anos. O ninho tucano está alvoroçado e tem mais gente graúda coçando a cabeça, esperando pela “visita” incômoda da Polícia Federal.


Agora o que se espera é que a Procuradoria-Geral da República aceite a denúncia para que Serra e a filha Verônica se tornem réus. E  pare de boicotar ações da Lava Jato, como também ministros do STF que têm corruptos de estimação. E que a corrupção tucana seja punida exemplarmente!