Presidente da LNB justifica escolha sobre estrangeiros: "Baseado em números"

Norte-americano Bennet (ex-Pinheiros) e o argentino Franco Balbi (Flamengo) estiveram em quadra no último NBB

A temporada 2020/21 do NBB já é uma realidade nos bastidores. Na última quinta-feira, a Liga Nacional de Basquete (LNB) anunciou o início do campeonato para o dia 14 de novembro. A data representa uma luz para o esporte em meio a pandemia que acomete todo o país, mas houve um tópico na reunião que não agradou a todos: a manutenção do número de estrangeiros.

Desde a última temporada, a LNB aprovou a inscrição de quatro atletas de fora do Brasil em cada time. Na época do aumento, vários jogadores manifestaram insatisfação, mas a regra se manteve ao longo do ano. O debate foi reaberto na última semana, quando tiveram início na LNB as reuniões para definir o regulamento da nova edição do torneio.

Por meio das redes sociais, a Associação dos Atletas Profissionais de Basquete do Brasil (AAPB) se declarou a favor de reduzir para dois o limite de atletas estrangeiros em cada equipe. O principal argumento para tal sugestão tem como base os postos de trabalhos após a pandemia.

Com a crise que atinge todos os setores, vários clubes têm enfrentado dificuldades financeiras e precisaram reduzir os investimentos. Além disso, algumas agremiações correm o risco de não competir na próxima temporada por falta de recursos, o que pode acarretar uma redução do número de vagas. O diminuir os estrangeiros, a ideia da entidade que representa os atletas é garantir o maior número de brasileiros no NBB.

A campanha prontamente ganhou adesão de vários jogadores, que replicaram a hashtag "valorizeobrasileiro". Entretanto, ficou definida na reunião da última quinta-feira a manutenção do limite de quatro estrangeiros. A votação da pauta terminou com o placar de 12 a 1, sendo unanimidade entre os clubes. O único voto contra foi da AAPB.

“A Liga decide sempre no colegiado e baseado em números, em estatísticas. Para vocês terem uma ideia, ano passado a média de estrangeiros por equipe deu 2,8. Um exemplo bacana é a nossa equipe (Mogi das Cruzes) que não usou nenhum estrangeiro. O que pode parecer uma coisa depreciativa e que tira o espaço do jogador brasileiro, na prática não é, e os números mostram isso. Então a Liga decidiu, em comum acordo com todas as equipes e todos que estão envolvidos nessa discussão, manter o que estava acontecendo, com quatro estrangeiros ainda”, disse Nilo Guimarães, presidente interino da Liga Nacional de Basquete e gestor do Mogi.

Entre os dados que nortearam a decisão dos clubes, segundo a LNB, está um levantamento da FIBA com a porcentagem de estrangeiros em várias ligas na última temporada. De acordo com a pesquisa, o Brasil aparece com 19%, abaixo de países como Espanha (70,1%), Itália (56,1%), França (54,9%), Argentina (34,3%), Austrália (36,4%) e Japão (27,7%).