Editorial

                             Saia justa na PGR

 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, acaba de entrar em verdadeira saia justa por causa de uma ação bastante suspeita de interferência na operação Lava Jato comandada pelo Ministério Público Federal em Curitiba. Os tempos são mesmo muito estranhos com interferência de vários órgãos que visam desmontar processos já conclusos e outros em fase final envolvendo políticos e empresários corruptos.


Há interferência do Supremo Tribunal Federal, inclusive com ações escusas da Polícia Federal por conta do assombroso inquérito das fake news instaurado e sob comando do ministro Alexandre de Mores e aval (determinação) do presidente do STF, Dias Toffoli. Mesmo indicado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, o procurador-geral Augusto Aras tem ações muito estranhas, que afetam principalmente o governo e, diretamente, Bolsonaro, principalmente depois da requisição absurda do vídeo com a reunião ministerial quando foram registradas críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Há mesmo um complô entre autoridades do alto escalão e os objetivos não ficam bem claros, mas já visível revolta de procuradores do MP em Curitiba.


Procuradores da força-tarefa da Lava-Jato na Procuradoria Geral da República pediram demissão na noite desta sexta-feira (26), por discordarem da gestão do chefe do órgão, Augusto Aras. O estopim foi a visita da procuradora Lindora Araújo, braço direito de Aras, a sede do Ministério Público Federal do Paran, na quarta e quinta-feira. Deixaram os cargos os procuradores Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas de Macedo e Victor Riccely. No entanto, outros nomes podem entregar os cargos em razão do descontentamento com a gestão de Aras.


Integrantes do MPF no Paraná ingressaram com uma reclamação na corregedoria do Ministério Público Federal em razão da visita de Lindora e sobre a solicitação do compartilhamento de dados da operação Lava Jato. Relatos dos integrantes da Lava-Jato em Curitiba revelam que a subprocuradora Lindora Araújo, braço direito de Aras, foi até a sede do órgão na capital paranaense para solicitar acesso a gravações e documentos referentes a operação que desarticulou um esquema de corrupção na Petrobras. Mas qual seria o interesse nessas investigações e processos que são de 2.014?


A visita de Lindora gerou, além de Brasília, reações e revolta de procuradores na capital paranaense, que veem o ato como fora do comum e avaliam que a tentativa seria prejudicar o ex-juiz Sérgio Moro, que foi, durante quatro anos, o principal nome da operação. Em ofício enviado à corregedoria, integrantes do MPF no Paraná afirmam que a comunicação foi realizada por "cautela" e para "prevenir responsabilidades". Mas a visita causou estranheza em integrantes da própria PGR que não haviam sido informados da ação.


São ações desse tipo que desmoralizam ainda mais a justiça deste país, com gente do alto escalão “mexendo os pauzinhos” para livrar bandidos corruptos de condenações, além de colocar outro tanto nas ruas, como é caso absurdo do STF tirar da prisão um condenador em terceira instância como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem justificativa nenhuma (criaram uma aberração) e sequer com tornozeleira eletrônica. Não por acaso, a população está cada vez mais revoltada e a justiça cada vez mais desacreditada. O que justifica os ataques e críticas em manifestações nos últimos meses nas capitais e grandes cidades. Uma vergonha!