Editorial

               Trapalhadas, incompetência e ano perdido

 

A pandemia do coronavírus realmente vem fazendo um estrago descomunal em todos os setores de atividades no País, castigando a economia com sérios reflexos futuros e previsão nada animadora do conserto dessa situação, podendo levar décadas. Mas, sem dúvida, o maior estrago está na educação, no ensino, pois isso também terá reflexo impagável no futuro de crianças e adolescentes que estão perdendo um ano letivo por culpa da incompetência e as trapalhadas do governo de João Dória.


O que interessa para a Secretaria de Educação são números e ela não abre mão de fazer contas colocando nas planilhas números (irreais) de alfabetização e aprovações de alunos para contar o ano letivo. Isso é falso e o governo está usando de má fé, prejudicando milhares de crianças e adolescentes, sem admitir que este ano será um fracasso total no ensino, mesmo que tentem a todo custo “inventar” esquemas inúteis de recuperação dos dias e meses perdidos nas escolas tanto estaduais como municipais e as particulares.


O secretário da Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, entrou no jogo absurdo do governador João Dória de se basear “topeiramente” na saúde e na ciência (mote repetido centenas de vezes em pronunciamentos maçantes todas as semanas na televisão). O que se vê é total desespero de um governo despreparado e mal assessorado, que toma decisões políticas e tem procurado inclusive enfrentamento desnecessário com o governo federal, que tem pregado maior abertura em todos os setores, inclusive na educação.


João Dória e o secretário Rossieli Soares querem fazer um nivelamento por baixo no ensino do estado e não admitem sequer a volta antecipada das escolas particulares, que têm melhores condições do que as estaduais.


Rossieli Soares disse ontem que não considera a possibilidade de estipular uma data de retorno antecipada para as escolas particulares em meio à pandemia do novo coronavírus. Em entrevista para a TV Globo, Rossieli afirmou que é preciso ter cuidado para não aumentar diferenças entre sistemas de ensino. "Não existe a possibilidade de abrir primeiro para a privada e depois para a pública. Quando abrirmos, tem que ser para todos. Já temos desigualdades sociais, dificuldades enormes, não podemos abrir a escola para o filho do rico e não abrir a escola para o filho do pobre”. Isso é nivelar por baixo secretário!


Isso é hipocrisia e incompetência e Dória e Rossieli foram contestados pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo. Principalmente por terem usado indevidamente o nome do sindicato no pronunciamento da última quarta-feira. O Sieeesp repudiou a definição pelo governo, sem consulta, o seu plano de retorno às aulas, para somente a partir de 8 de setembro.

Causou estranheza a marcação dessa data, pois já estava acertada uma reunião que aconteceria antes desse anúncio, com a Secretaria de Educação, exatamente para discutir como seria essa volta nas escolas particulares em todo o Estado, assim como já haviam sido feitas outras reuniões anteriormente, para se tentar chegar a um consenso sobre o protocolo. Então, se é só voltar em setembro, por que se faz esse anúncio agora, com mais de 70 dias antes desse retorno marcado para 8 de setembro?


O governo não está levando em conta o desespero de pais que estão com as crianças e adolescentes em suas casas há três meses, passando dificuldades, tendo que trabalhar e sem condições de cuidar dos filhos, tendo que apelar para parentes ou ainda ter que pagar outras pessoas para este trabalho. Sem falar no plano furado e desastroso de aulas à distância, principalmente para alunos da rede estadual, que sequer têm condições técnicas viáveis com aparelhos e Internet. Além do que a plataforma da Secretaria da Educação é um desastre, meia-boca, trazendo sérias dificuldades para os alunos.


Segundo o mirabolante plano do governo de voltar às aulas apenas em setembro e com 35% de alunos só pode ser piada. É a decretação da falência do ano escolar, que Dória e o secretário Rossieli Soares não admitem. Mas essa conta astronômica será cobrada deles no futuro, sem dúvida!