Aproveite para adotar um animal mais velho na quarentena

Desde o início da pandemia, aumentou muito o número de adoções de cães e gatos. Confinadas em casa, as pessoas descobriram, ou redescobriram, como um animal de estimação colabora para amenizar o isolamento e a solidão.

Mariza Tavares (*)

Desde o início da pandemia, aumentou muito o número de adoções de cães e gatos. Confinadas em casa, as pessoas descobriram, ou redescobriram, como um animal de estimação colabora para amenizar o isolamento e a solidão.

Apesar de ser crescente o contingente de idosos que vivem sozinhos, eles normalmente veem com reservas a experiência de ter um novo bicho, imaginando que não encontrarão energia para cuidar dele. Há uma alternativa que atende a todas essas questões: adotar um pet também idoso.

Apesar de filhotes serem fofos, sua personalidade é uma incógnita. No caso dos cachorros, quando são vira-latas, nunca se sabe se aquele bebê terá no futuro porte pequeno, médio ou grande. Se já é adulto, o problema desaparece. Além disso, com a energia de que dispõem, são capazes de mastigar sapatos, roer a mobília, destroçar almofadas e travesseiros - sem contar o risco de provocarem tombos nos donos ao pularem sobre eles ou se enroscarem em suas pernas. Até estarem liberados para sair, é preciso que tomem todas as vacinas. Também têm que ser adestrados, ao passo que os mais velhos podem começar a passear no mesmo dia em que chegam, ajudando a diminuir o sedentarismo.

As considerações valem para os gatos com 5 anos ou mais. Filhotes podem ser bastante levados, derrubando e quebrando coisas, além de rasgar rolos inteiros de papel higiênico... Felinos não acabam em abrigos porque têm má índole, e sim porque se perderam ou foram abandonados por donos que, por exemplo, acharam que o bicho era incompatível com o nascimento de um filho. Para quem precisa sair para trabalhar, gatos são a opção perfeita, porque costumam dormir muitas horas durante o dia e ficam bem sozinhos.

Cães e gatos que se encontram há tempos num abrigo, ou com um cuidador, com frequência passaram por situações difíceis: fome, frio, maus tratos. Optar por um animal nessas condições vai fazer toda a diferença para a vida dele, que com certeza se mostrará “grato” pelo acolhimento e retribuirá com afeição e lealdade. Por último, mas não menos importante: pesquisas mostram que interagir com um pet diminui os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.

(*) Mariza Tavares é jornalista, mestre em comunicação pela UFRJ e professora da PUC-Rio, escreve sobre como buscar uma maturidade prazerosa e cheia de vitalidade.