Editorial

 

                         Quarentena não é vacina!

 

A resposta certa, direta e reta para o governador João Dória (PSDB) sobre a pressão que vem exercendo sobre a Prefeitura de Marília por ter reaberto o comércio e liberado várias atividades desde a última segunda-feira foi dada com precisão pelo prefeito Daniel Alonso: “Quarentena não é vacina!”.


Ficou evidente o descaso e perseguição de João Dória em relação a Marília quando divulgou o seu mapa “particular” e colorido sobre as condições de cada região para a flexibilização de atividades comerciais. Ora, colocar Marília na fase “laranja” junto com a capital paulista, uma metrópole que registra mais de 60% de casos de Covid-19 e de mortes no estado, ignorando a situação muito melhor da saúde em Marília, foi mesmo uma provocação. Isso sem falar da comparação com Bauru, também em pior situação de casos e mortes, além de maior ocupação de leitos em hospitais.


Por causa da pressão do governador João Dória e do secretário Marco Vinholi o Ministério Público também faz pressão sobre a Prefeitura de Marília, tendo recorrido à Procuradoria-Geral de Justiça para barrar a lei aprovada pela Câmara Municipal e o decreto do prefeito Daniel Alonso. O que é simplesmente absurdo levando-se em conta a situação lastimável da economia que já tem levado grande número de comerciantes à falência, além de provocar aumento no desemprego deixando centenas de famílias em situação muito difícil na cidade.


Na quarta-feira o procurador Mário Luiz Sarrubo ingressou no Tribunal de Justiça com uma ação direta de inconstitucionalidade para suspender a flexibilização feita pela Prefeitura de Marília. O argumento do procurador e do “Ministério Público da Saúde” é ridículo apontando “desconformidade com a classificação recebida do governo do Estado”. Mas quem disse que esta classificação “colorida” de João Dória é correta? Os argumentos do governador foram motivos de contestação inclusive de cidades do litoral paulista e da Grande São Paulo. Foi mesmo uma decisão política, esdrúxula, mostrando que o governo está perdido, sem controle da situação. Pior de tudo é o Ministério Público agir contra os interesses do comércio local em situação de pânico econômico, com base simplesmente na classificação absurda de João Dória. O mesmo MP que lascou multa diária de R$ 100 mil para a Prefeitura de Marília caso não atendesse à determinação da quarentena de Dória.


Não será estranho se o Tribunal de Justiça aceitar o argumento do procurador e expedir liminar “obrigando” o prefeito Daniel Alonso a retroceder na flexibilização, prejudicando a cidade. Lógico que neste caso a Prefeitura vai recorrer em instância superior.

Conforme entrevista do prefeito publicada ontem pelo Jornal da Manhã, Marília tem reserva técnica de 156 leitos para atendimento Covid-19, além dos números reais colocarem a cidade na faixa 4 (a cor verde de João Dória), garantindo a flexibilização com a reabertura do comércio, inclusive shoppings, bares, restaurantes, salões de beleza e academias, sempre com os devidos cuidados de distanciamento. Afinal de contas, quem legisla e administra a cidade são a Prefeitura e a Câmara Municipal.