Carlos Bulho Fonseca: o descobridor de talentos

Carlão se aposentou em 2015 e desde 1981 mora no alojamento do Abreuzão

Por Jorge Luiz/foto: Edio Jr.

Não existe um garoto que jogou nas categorias de base do Marília Atlético Clube (MAC) e que não tenha sido treinado por Carlos Bulho Fonseca, a partir da década de 80.

Aos 71 anos, Carlão é um dos grandes nomes da história do Alviceleste e um dos maiores descobridores de talentos do futebol. Aposentado da função de técnico desde 2015, ele mora em um alojamento do estádio Bento de Abreu Sampaio Vidal há 39 anos (desde 1981).

Carlos Bulho nasceu em Herculândia e veio para Marília em 1968. Porém, antes ainda morou em Tupã e em Garça, onde era médio volante do Ipiranga e do Paulistinha (clubes amadores do município).

“Joguei junto do goleiro Valdir Peres (São Paulo e Seleção Brasileira) na infância”, lembrou. Quando veio para Marília, Carlão trabalhou na antiga Telesp (ficava na Rua 4 de Abril) como serviço gerais e depois em uma indústria de calçados (na Rua São Luiz).

Em um dos últimos empregos, acabou recebendo de acerto um jogo de camisas de futebol e resolveu montar uma equipe: o Paulista do Morro, ficando pouco mais de um ano no comando técnico. Sua ida ao MAC aconteceu em 1978 por convite do técnico Antônio Maria Pupo Gimenes, o “Cocó”, que era o treinador da base maqueana.

“Fui chamado porque meu time (Clube Atlético Independente) venceu o Maquinho na final de uma competição organizada por Osmar Santos (locutor). Naquela época era quase impossível ganhar da base do Marília em qualquer categoria. Meu time conseguiu a vitória por 1 a 0 com gol de Dorival Junior (atual técnico do Athletico-PR). Nessa minha equipe jogavam: Dorival, o irmão dele, Luiz Andrade e Sérgio Néri (ambos goleiros). Pupo Gimenes e Leandro Presumido (diretor da base do MAC) me convidaram e eu aceitei trabalhar no clube”, recordou Carlão. Na época o Alviceleste era dirigido pelo presidente Pedro Pavão.

 

Descobridor de talentos – Carlos Bulho Fonseca foi responsável pela formação de grandes atletas no Marília, que ganharam destaque no futebol brasileiro. Alguns dos lembrados pelo ex-treinador foram: volante Bernardo (São Paulo), zagueiro Márcio Rossini (Santos), Dorival Junior (Guarani), Sérgio Néri (Guarani), atacante Raudinei (Porto-POR) e centroavante Guilherme (São Paulo).

Perguntado qual foi sua maior revelação, o ex-treinador preferiu não dizer. Na base, Carlão conquistou vários títulos de Jogos Regionais e um dos Jogos Abertos.

“Era para ter sido dois títulos dos Abertos, mas um eu perdi na moeda. Não me lembro o ano, mas em uma edição em Santo André, nós e o Rio Branco terminamos empatados em todos os critérios e a decisão de quem ficava com o título foi decidida na moeda e eu acabei perdendo”, frisou.

Além de ter comandado todas as categorias de base do Marília, Carlos Bulho Fonseca foi auxiliar-técnico do profissional em várias oportunidades, mas nunca treinou o time principal.

“Nunca recebi o convite de nenhum dirigente para dirigir o profissional, porque eu sempre deixei bem claro que eu não queria”, destacou. Carlão também foi o auxiliar de Walter Zaparoli na conquista do Maquinho da Taça São Paulo Junior de 1979. “Eu fazia parte da comissão técnica, mas não cheguei a viajar para São Paulo”, mencionou.

 

Seleção do MAC – Parte da história do Marília Atlético Clube, Carlão viu grandes times, jogos e jogadores do Alviceleste, além de adversários atuarem no Abreuzão. O ex-treinador da base montou sua seleção profissional do clube de todos os tempos com: Zecão; Valdirzinho, Tinho, Henrique Pereira e Mineiro; Helinho, Rui Lima e Roberto Pinto; Jorginho, Caldeira e Itamar. Técnico: Wilson Francisco Alves, o “Capão”.

Carlão só não quis dizer quem foi o melhor jogador da história maqueana, mas elegeu o melhor atleta adversário que viu jogar no Bento de Abreu: uruguaio Pedro Rocha, do São Paulo.

Carlos Bulho afirmou que o melhor time do MAC de todos os tempos foi o que disputou o Paulistão de 1993.

“Por incrível que pareça essa equipe caiu, apesar de eu considera-la a melhor. Nessa época, o clube era comandado pelo Fausto Jorge (empresário) e que trouxe vários atletas de grandes clubes. Me lembro que veio do Nei Bala, o Paulo César e o Mona, todos do São Paulo, mas infelizmente esse time não deu ‘liga’. Uma pena mesmo”, lamentou.

Um jogo de que nunca esquece aconteceu pelo Paulistão de 1979, no Abreuzão, no dia 24 de fevereiro. Marília e Ponte Preta empataram em 4 a 4. O MAC chegou a estar vencendo por 4 a 2 até os 37 minutos do segundo tempo, mas levou o empate aos 37 (com Osvaldo) e aos 45 (com Wilsinho). Nesta partida, Jorginho Putinati marcou duas vezes. Serginho e Ferreira anotaram os outros dois.

A escalação maqueana deste jogo teve: Zecão; Valdirzinho, Márcio Rossini, Clodoaldo e Reinaldo; Soni, Nenê e Serginho; Luís Sílvio, Jorginho e Ferreira. Técnico: Urubatão Nunes. A Ponte jogou com: Carlos; Toninho, Oscar, Juninho e Toninho Costa; Vanderlei, Marco Aurélio (Wilsinho) e Dicá; Lúcio (Humberto), Osvaldo e Afrânio. Técnico: Cilinho.