Último álbum de Sérgio Sampaio, reeditado em LP, é título raro da discografia nacional

O cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947 - 1994) já estava à margem do mercado fonográfico brasileiro, quase inteiramente esquecido, quando conseguiu viabilizar em 1982 a gravação e edição independente daquele que seria o último álbum lançado pelo artista em vida.

O cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947 - 1994) já estava à margem do mercado fonográfico brasileiro, quase inteiramente esquecido, quando conseguiu viabilizar em 1982 a gravação e edição independente daquele que seria o último álbum lançado pelo artista em vida.

Título raro da discografia nacional, Sinceramente voltou ao formato original de LP em 2019, oito anos após ter ganhado edição em CD em 2011 pelo selo de Zeca Baleiro.

Feita no momento em que o maior sucesso do compositor, a marcha-rancho Eu quero é botar meu bloco na rua (1972), ganhou a voz de Ney Matogrosso no show Bloco na rua.

A reedição do álbum Sinceramente no formato de vinil abriu série de 12 reedições em LP de discos brasileiros, iniciativa do projeto Três Selos, espécie de cooperativa entre os selos Assustado Discos, EAEO Records e Goma Gringa. A cada mês do ano de 2019, um álbum raro e/ou antológico de música brasileira foi relançado em LP.

Álbum produzido pelo próprio Sérgio Sampaio, Sinceramente apresentou no repertório onze temas autorais compostos solitariamente pelo artista (com exceção de Cabra cega, parceria com Sérgio Natureza).

Em Doce melodia, o cantor recebeu Luiz Melodia (1951 - 2017), único convidado deste disco em que Sampaio deu voz a músicas como Essa tal mentira, Homem de trinta (composição em cuja letra fez balanço existencial), Nem assim e Tolo fui eu, todas arranjadas pelo artista com o pianista Zezinho Moura. Músicos como o guitarrista Renato Piau tocaram no álbum.

A reedição em LP de Sinceramente incluiu encarte inédito com texto exclusivo de Rodrigo Nogueira, biógrafo de Sérgio Sampaio.

Bloco na rua

Para um cantor e compositor injustamente jogado pela indústria da música na vala dos malditos dos anos 1970, até que Sérgio Sampaio (13 de abril de 1947 - 15 de maio de 1994) continua bem vivo no universo pop brasileiro 25 anos após a morte do artista capixaba.

Tanto que o cineasta Hugo Moura e o filho de Sérgio, João Sampaio, produziram documentário sobre o artista enquanto Ney Matogrosso percorria o Brasil em 2019 com o show Bloco na rua.

O título da turnê de Ney condensa o nome da marcha Eu quero é botar meu bloco na rua, composta por Sampaio e apresentada com retumbante sucesso nacional pelo autor em 1972 na sétima e última edição do Festival Internacional da Canção (FIC).

Ao sair de cena há 25 anos, Sérgio Sampaio deixou quatro álbuns gravados, além do disco coletivo Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10 (1971), dividido por Sampaio com Raul Seixas (1945 - 1989), a cantora paulista Miriam Batucada (1947 - 1994) - nascida e morta nos mesmos anos de Sampaio - e Edy Star.

Os quatro títulos da curta obra fonográfica do artista em carreira solo podem ser ouvidos em edições digitais disponíveis nas plataformas de música, sinalizando que o bloco de Sérgio Sampaio continua na rua.