Editorial

                       Feriadão e lockdown

 

O governador de São Paulo, João Dória (PSDB) está que nem cego em tiroteio: não sabe para onde correr tal o desespero para tentar que as pessoas atendam ao seu decreto de isolamento durante a quarentena que parece não acabar nunca. E pelo jeito não vai acabar mesmo, porque a intenção do governador de proporcionar um feriadão no estado de São Paulo está indo por água abaixo.


Primeiro é preciso entender que são situações diferentes nas regiões paulistas, começando pela Grande São Paulo, incluindo a capital que tem o maior número de infectados, doentes e óbitos por causa da Covid-19. O feriadão por lá já começou na quarta-feira com decreto do prefeito Bruno Covas e o que se viu foi maior movimentação, inclusive nas rodovias que levam ao litoral. Está provocando certo caos com barreiras nos trevos de acesso a várias cidades, principalmente Caraguatatuba, São Sebastião, Ubatuba, Santos e Guarujá.


Segundo que as cidades menores do interior do estado não registram números elevados da epidemia do coronavírus e a situação é bem diferente em várias regiões. Só que até agora o governador João Dória não quer saber de dois pesos e duas medidas e estendeu as medidas de isolamento para todo o estado. Uma decisão que tem sido muito criticada diante da derrocada da economia com quebradeira geral no comércio, perda de renda, demissões, fazendo aumentar o desespero das famílias, inclusive com as crianças sem escolas.


Está dando para perceber o desespero do governador João Dória, do prefeito Bruno Covas e assessores em suas entrevistas de ontem. Mesmo porque o feriadão na capital está sendo um “tiro no pé” já que a movimentação de pessoas e veículos pouco diminuiu em São Paulo, além da “fuga” para o litoral e também interior. Não será fácil chegar aos 70% de isolamento no estado com este feriadão. E tem gente até driblando (fraudando) o sistema de monitoramento inteligente do governo, deixando os celulares em casa para viajar, já que o isolamento social é medido pelas operadoras de telefonia com o deslocamento dos aparelhos.


João Dória já vinha aventando a possibilidade de flexibilização da quarentena a partir de 1º de junho, mas diante do fracasso de suas tentativas, inclusive com o feriadão no estado, é quase certo que a quarentena seja prorrogada. E o governo já tem pronto o plano de lockdown (uma expressão em inglês que, na tradução literal, significa confinamento ou fechamento total). O prefeito de São Paulo, Bruno Covas afirmou que a resposta sobre o lockdown na capital será conhecida na próxima quarta-feira e pediu apoio das pessoas ressaltando que é preciso colaboração para vencer o coronavírus. Da mesma forma, como ele age em consonância com o governador, Dória poderá decretar lockdown no estado. Ou pelo menos na Grande São Paulo e litoral. O que será um desastre total não só para a economia, mas também politicamente. Dória já está entre a cruz e a espada! Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!