Não se procurar um culpado, mas temos que ter uma atitude!

 

 

 

 

Não sou favorável a desobediência civil, porém é o que está acontecendo. O desespero dos trabalhadores, de seus familiares, está se tornando uma premonição a todos nós de que o pior não chegou. A Pandemia só se estabiliza quando 75% da população de uma região estiver contato com o vírus. É um processo de “auto imunização ou contaminação do rebanho”. Esta questão de curva horizontal e vertical, não foi idealizada com a disciplina necessária (típica de Brasil) e a diagonalização da curva aconteceu. Lembro que a curva apenas impede o congestionamento do serviço de saúde, e, retarda a contaminação.  Demoramos para tomar condutas?

Isso está mostrando o quão falho o nosso Sistema de Saúde se apresenta, e como este mesmo SUS foi tratado nos governos, atual e anteriores. O sucateamento e a reconstrução do SUS na urgência são totalmente equivocados. Somos dependentes do dono do vírus! Alguns detalhes me chamam atenção: existe uma sazonalidade do Covid 19, aqui em Marília que está abaixo de uma média projetada (ao menos por ora), assim como outras cidades do mesmo porte e referência em saúde idem. No entanto grandes capitais com manifestações de hiperatividade endêmica, sendo que a maioria relacionada com a visitação estrangeira no período carnavalesco. 

Outra questão é a polemica quanto ao uso de drogas não protocolizadas para tratamento, sejam elas quais for. O importante é que não existe uma cura do vírus, mas sim uma neutralização dele por anticorpos que nós mesmos produzimos. As drogas em questão, ou retarda uma provável multiplicação, ou evita uma inflamação, ou previne uma complicação mais grave nos estágios evolutivos da doença. Cada um de nós vai assumir isto de conformidade com seu sistema imunológico. E só pode ser prescrita por um médico. São várias drogas, como em outras doenças, e da mesma forma nem sempre serão eficientes de forma igualitária.

Aspecto importante fica o trabalho profissional da população. Essenciais estão expostos, os demais não. Não é uma verdade absoluta. Naturalmente os considerados não essenciais já retornaram ao trabalho por conta de necessidades próprias. Está crescendo este movimento sorrateiramente, o que dá uma conotação de desobediência civil. Alguns lugares, com isto, não tiveram sinalização de piora do Covid, porém em algumas capitais, aparentemente foi um desastre! Agora tal desastre é discutível, pois se orientações disciplinares anti-covid tivessem sido priorizadas, creio que estaríamos com resultados menos piores, e com uma excelente experiência para um país continental, porque o Covid deve se atualizar em breve.

Erros ou acertos, não é momento para avaliar o que está certo ou errado e sim juntar forças. Creio que o Ministério da Saúde deveria ser ápice da pirâmide. Não haver ingerência de mais setores institucionais, com a exceção da Economia, afinal a gestão financeira, o futuro da saúde do Brasil ou do mundo depende exatamente da capacidade de produção e gestão financeira desta produtividade.

Ficar em casa, usar ou não usar máscaras em locais fechados, abertos ou públicos, são variáveis a serem administradas de forma regionalizada. Não se pode executar um mesmo quadro de condutas sociais, não conhecendo o índice de contaminação de uma região, mesmo porque, todos nós teremos que ter contato com o vírus antes da vacina. Esta mesma vacina ainda não chegou. Esta é uma situação que nós erramos feio. Não foi verificado de forma epidemiológica esta capacidade de ação nas cidades com diversificações populacionais.

Quando a demanda de decisão sobre o comportamento de ação sanitária perante ao Covid 19 foram explicitados para os governos estaduais, entendo que isso poderia ter sido melhor aproveitado no sentido de abertura e fechamento das atividades econômicas. Falha esta que causou males ainda não dimensionados na saúde e economia.

Só nos resta aguardar, outras pandemias vão vir. A ciência vai estar à nossa disposição, espero que os governantes idem. Para o momento, estamos no pico da pandemia, expectativa de melhora, dentro da ciência, mas poderá ter outro surto em breve porque nem todos estarão imunizados. Outra solução, por ora não temos expectativa e nem o STF ousará se meter com o Covid!

Não se procura um culpado, mas temos que ter uma atitude. Sou adepto ferrenho, desde o início de abertura da economia com restrições, medidas sanitárias implementadas pelo CFM, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Município à risca. Cumprimento fiel da Constituição Federal, nos parâmetros de prevenção do Covid. O fim da Pandemia só quando 150 milhões de brasileiros tiveram algum contato com o Covid. Temos que prosseguir com coragem!

 

Mario Luiz Furlanetto, médico  CRM 39071