Presidente rebate assessor de governo e diz que ‘Câmara não é quintal e nem cartório do Executivo

 

Após o assessor especial de governo Alysson Alex Souza e Silva insinuar falta de empenho do Legislativo para votar as contas do ex-prefeito Abelardo Camarinha (Podemos), em 2003 e 2004, o presidente da Câmara Municipal Marcos Rezende (PSD) rebateu e disparou: “A Câmara não é quintal e nem cartório da Prefeitura”.

“O protocolo foi feito pelo assessor especial de governo em novembro do ano passado, quando tínhamos quantidade grande de projetos para votar e estávamos próximos do recesso parlamentar. Retornamos em fevereiro e em março já tivemos o início da pandemia. Não existiu em nenhum momento má vontade da Câmara em votar as contas de Camarinha e muito menos existe um acordo com o ex-prefeito”, enfatizou Rezende, nitidamente irritado com a situação.

O comandante da Casa de Leis de Marília destacou que é preciso respeitar o Poder Executivo. “Em um momento em que o prefeito (Daniel Alonso, do PSDB) necessita de ajuda dos seus secretários e membros do primeiro escalão, é hora do Alysson se preocupar menos com o MAC (Marília atlético Clube) - clube do qual o assessor de Daniel é vice-presidente – e mais com a Prefeitura”.

Toda a cautela está sendo tomada para avaliar as contas de Camarinha, como aconteceu recentemente com as contas do filho dele, hoje deputado estadual Vinicius Camarinha (PSB). “Na oportunidade, tivemos dificuldade em notificá-lo e tivemos todo o respaldo jurídico para não cometer nenhuma irregularidade. Com as contas de 2003 e 2004 não será diferente”.

Rezende lembrou que sempre foi favorável aos projetos positivos em prol do município, como o ajuste fiscal, o plano de carreira do servidor, a obra de tratamento de esgoto e o controle administrativo. “O prefeito precisa de articulação política neste momento e não de ataques ao Legislativo que não levam a nada”.

A votação das contas de 2003 e 2004, na Câmara, perdeu a validade após decisão da Justiça, acatando recurso de Camarinha, à época alegando não ter tido direito ao contraditório.

Rezende disse que a Câmara segue um cronograma e não vai alterar o andamento legislativo e ordem dos processos para votar as contas de Camarinha às pressas. “Respeitarei os prazos e as condições do processo legislativo”, concluiu Rezende.