Toni Garrido sugere 10% da renda das lives para equipes técnicas: "Galera está passando fome"

Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra, resolveu ir atrás do que ele chama de "ideias práticas" para lidar com a crise provocada pela pandemia da Covid-19.

Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra, resolveu ir atrás do que ele chama de "ideias práticas" para lidar com a crise provocada pela pandemia da Covid-19.

Na tentativa de ser mais prático, Toni criou uma iniciativa chamada Show de Solidariedade. E são basicamente dois pontos que ele defende:

Ele propõe que todas os artistas repassem 10% das arrecadações com patrocínios e doações em suas lives para um fundo destinado a músicos de apoio e técnicos das equipes que acompanham artistas em turnês e estúdios;

Também propõe que artistas que fazem as lives paguem os cachês dos músicos que tocam com eles nas turnês. Mesmo sem eles participarem dessas lives.

O vocalista do Cidade Negra estava cantando em shows on-line com arrecadação para vários setores, mas percebeu que faltavam iniciativas para os profissionais da música que não estão sendo remunerados.

A maioria deles ganha por trabalho, não tem carteira assinada.

"Toda nossa carga produtiva, as pessoas que trabalham para aquele show acontecer, elas estão sem função nesse momento.

Automaticamente, como elas trabalham por vez, elas não estão recebendo, porque aquele trabalho não as inclui. Elas estão ao léu... A nossa galera está passando fome."

Muitos artistas estão pagando suas bandas, mesmo que as lives sejam realizadas com uma estrutura mais enxuta, com bem menos músicos (ou nenhum) e sem profissionais da parte técnica.

"A bandeira que eu levanto é: artistas, queridos colegas, essa parada é nossa. O setor é nosso, a família é nossa. A responsabilidade das pessoas que viajam com a gente pra que a gente faça os nossos shows é nossa", convoca Toni que, é claro, vai seguir em sua própria carreira o que está propondo para os outros. Ele vem pagando a banda dele, mesmo nas lives só feitas com DJ: "A galera vai estar em casa, cuidando dos filhos, sem poder sair de casa, mas vai todo mundo receber como se fosse show normal."

O ator / cantor ainda faz uma ressalva sobre a iniciativa.

 "Ela não contempla os artistas nem os cantores", explica. "Contempla músicos e técnicos de todas as formas: de palcos, técnicos de som, técnicos de luz.

 É um fundo que está destinado aos trabalhadores da cena, aos trabalhadores da indústria de shows."

Com 35 anos de carreira, Toni diz que prepara projetos de lives com patrocínio, porque "precisa cantar pra pagar as contas".