Sindicato dos Bares reclama de falta de perspectiva de abertura

Prefeito pede flexibilização ao Governo; Marília teve pedidos negados pela Justiça

 

Por Izabel Dias

O decreto estadual que impõe o fechamento do comércio no Estado de São Paulo como medida de prevenção a pandemia da Covid-19, tem provocado insatisfação aos comerciantes de Marília que estão com suas lojas fechadas desde o dia 21 de março. Mesmo apesar de várias tentativas na Justiça, o comércio da cidade permanece fechado. O presidente do SinHores (Sindicado dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares) de Marília, Sinval Gruppo, afirma que as últimas movimentações não sinalizam a reabertura.

 “Continua tudo incerto e o pior é que não vemos perspectiva e não temos certeza se o comércio será reaberto dia 1º de junho com o fim da quarentena determinada pelo Estado”, disse o presidente do SinHores. O setor de bares e restaurantes pode funcionar apenas em sistema delivery, o que representa um percentual muito pequeno nas vendas dos estabelecimentos.

Ontem o prefeito Daniel Alonso se reuniu com empresários e comerciantes e disse estar pressionando do Governo do Estado para que Marília possa reabrir o comércio. Na reunião foi apresentada proposta de abertura em sistema de ‘rodízio’, onde as empresas abririam em dois turnos diferentes, para evitar que todos os estabelecimentos fiquem abertos ao mesmo tempo.

Sinval Gruppo afirma que para o setor de bares e restaurantes, lanchonetes esta não é  uma alternativa adequada. “Essa abertura escalonada como querem propor ao governador não é ideal para nós. Abrir restaurantes e lanchonetes das 13h30 às 18h não adianta. É uma situação bastante difícil”.

Os comerciantes também lamentam que as decisões de abertura do comércio não são as mesmas para todas as cidades. Marília enfrenta uma ação movida pelo Ministério Público que impede a flexibilização do comércio e exige que a Prefeitura siga o decreto estadual, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Bastos e Tupã conseguiram reabrir o comércio.

DEMISSÕES

Sinval Gruppo, afirma ainda não ter números referentes ás demissões no setor de hotéis, bares e restaurantes em Marília, mas disse que estão ocorrendo. “Nosso setor está muito afetado, sabemos que estão ocorrendo muitas demissões. E empresas menores que já informaram que não vão reabrir quando o comércio voltar a funcionar”.

O presidente do SinHores, afirma que o setor também pretende pleitear a prorrogação da Medida Provisória que permite aos empregadores a suspensão dos contratos dos funcionários com parte do pagamento dos salários subsidiado pelo Governo.

Levantamento divulgado pela Associação Nacional de Restaurantes estima que o setor de alimentação já demitiu cerca de 1 milhão de pessoas desde o início da crise desencadeada pela pandemia da Covid-19. O setor encerrou 2019 com um faturamento de cerca de R$ 400 bilhões no país e aproximadamente 6 milhões de trabalhadores, de acordo com dados da entidade. A ANR representa mais de 9 mil pontos comerciais no país.