Editorial

                      Confinamento e falta de estrutura

 

O mundo sempre passou por guerras e pandemias, que são os maiores problemas para a economia dos países, quase sempre arrasados desde tempos remotos. Mas sempre ficam lições daqueles países melhor preparados, não só financeiramente como culturalmente. Japão e Alemanha foram arrasados na II Grande Guerra e hoje são duas das grandes potências mundiais, inclusive agora na guerra contra o coronavírus.

O confinamento mundial vem colocando grande número de países em situação desesperadora, pois além do grande número de mortes pelo vírus, também veem a economia se desmilinguir e preveem futuro incerto, muito difícil. Talvez este seja o caso do Brasil, um país considerado em desenvolvimento há muito tempo, mas que mais patina do que se desenvolve, principalmente por culpa da política e da politacalha. E hoje enfrenta uma situação terrível de confinamento com previsão de milhares de mortos pelo coronavírus por falta de estrutura e infraestrutura médico-hospitalar, por falta de equipamentos, de UTIs e de dinheiro. O prejuízo também será muito grande para comerciantes, empresários, empregados...

Mais de 3,9 bilhões de pessoas, metade da população mundial, já foram convidadas ou forçadas a ficarem em casa para combater a disseminação do novo coronavírus, segundo balanço estabelecido pela AFP (Agência France Press) com base em dados da Organização Mundial de Saúde divulgado ontem. Na forma de confinamentos obrigatórios ou recomendados, toque de recolher ou quarentena, essas medidas afetam mais de 90 países ou territórios.

A implementação do toque de recolher na Tailândia foi a medida que levou o isolamento social a atingir o limiar de 50% da humanidade. Pelo menos 2,7 bilhões de habitantes em 49 países e territórios foram obrigados a se confinarem. Pelo menos 2,7 bilhões de habitantes em 49 países e territórios foram obrigados a se confinarem. Nenhuma região do mundo é poupada: Europa (Itália, Espanha, França, Reino Unido), Ásia (Índia, Nepal, Sri Lanka), Oriente Médio (Iraque, Jordânia, Líbano, Israel), África (África do Sul, Marrocos, Madagascar), Américas (Colômbia, Argentina, Peru e grande parte dos Estados Unidos) e Oceania (Nova Zelândia). A Eritreia é o último país a se juntar à lista. Na maioria dos casos, as pessoas podem deixar suas casas para ir ao trabalho, fazer compras de produtos básicos ou ir ao médico. Outros territórios (pelo menos dez, com 600 milhões de habitantes) pedem que seus cidadãos fiquem em casa, mas não os obrigam a fazê-lo. É o caso do México, dos principais estados do Brasil, assim como de Irã, Alemanha, Uganda e Canadá.

As previsões para o Brasil são muito pessimistas: seja no número de mortos (vão faltar vagas nos cemitérios e necrotérios) como para a economia, que levará pelo menos dez anos (segundo economistas) para se recuperar. Se países de primeiro mundo estão sofrendo com a pandemia, imaginem só o Brasil que nunca se preocupou com a saúde e educação!