Editorial

Isolamento x trabalho

 

Com praticamente um mês da chegada do coronavírus ao Brasil, o País virou de ponta-cabeça por causa do medo e da falta de estrutura (e infraestrutura), além de trombadas históricas entre os governos federal, estaduais e municipais. Cada um agindo à sua maneira para tentar conter o vírus, infectados e mortes.

O Brasil sentiu tudo mudar. Arregalou os olhos diante de um inimigo invisível, que chegou manso e sorrateiro, junto aos viajantes regressos ao país. Em 20 dias, começou a matar. O governo anunciou 57 óbitos até quarta-feira e o número já subiu. O novo coronavírus trouxe incertezas, divergência de opiniões e mais instabilidade política, econômica e social.

O desastroso pronunciamento do presidente da República Jair Bolsonaro na terça-feira jogou gasolina na fogueira e acirrou divergências políticas que podem afetar ainda mais a já baleada economia do País.

Ele não está de todo errado, mas o problema é a forma como ele expõe o problema grave da “quebradeira” que será instalada na economia nos próximos meses a continuar com o isolamento praticamente total do comércio e parte da indústria, levando à recessão.

O empresariado já reagiu e tem muita gente torcendo o nariz pelo radicalismo de governadores e prefeitos. Remédio também mata, depende sempre da dose que é aplicada ao paciente. Talvez seja necessário rever as medidas drásticas e procurar o meio termo para que enquanto se combate a expansão da infecção por coronavírus o país não tenha recorde de desempregados que nos próximos meses sequer terão dinheiro para a alimentação, além de tantas outras contas mensais que serão simplesmente ignoradas. Sem falar que se ficar doente não terá dinheiro para o remédio!

Boa parte das empresas e bancos estão prorrogando dívidas, mas elas terão que ser pagas de um jeito ou de outro lá na frente. Grande empresas poderão sobreviver aos estragos na economia provocado pela pandemia do coronavírus, mas a pequenas e médias terão dificuldades já a partir de abril, podendo atrasar e não pagar salários, além de optar pela demissão de funcionários. O que não vai acontecer no serviço público!

Na liderança de um grupo familiar que reúne a MRV Construtora, o Banco Inter, a LOG, do setor de logística, e mais recentemente o canal CNN Brasil, o empresário Rubens Menin tem visão ampla do setor empresarial. Apesar de considerar que o isolamento é fundamental para o país preparar a sua rede de atendimento aos doentes, defende a abertura, o quanto antes, dos pequenos e médios negócios. "Temos que ter, realmente, muito cuidado para não dizimar as pequenas e médias empresas", afirma. Este é o pensamento da maioria do empresariado brasileiro, que agora tem dois medos: da pandemia e da recessão no País!