Dirigente de time de futsal na Itália, mariliense fala sobre o isolamento

Milton Vaz está com a família na região Norte do País – a mais afetada pelo Covid-19

Por Jorge Luiz/foto: Divulgação

 

O mariliense Milton Gomes Vaz é coordenador técnico da equipe de futsal CDM Genova, que disputa a Série A (elite) do Campeonato Italiano e por rede social falou com a reportagem JM sobre a situação do Coronavírus no País, que registra o maior número de mortes no mundo.

Até o fechamento desta edição, 6.077 pessoas tinham sido vítimas fatais da doença.

Milton mora com a esposa e dois filhos (menina de 3 anos e garoto de 15) na cidade de Genova, onde está um dos mais importantes e maiores portos da Europa para comércio e turismo, e que faz parte da região Norte da Itália (a mais afetada pelo Covid-19).

“Estamos na região Norte, mas fora do epicentro da doença. Aqui na minha cidade, o índice é baixo em comparação com as partes mais afetadas pelo contágio. Até ontem (dia 23), haviam 1.092 infectados e 127 mortos”, explicou.

O mariliense lembrou que hoje (dia 24) o período de isolamento na Itália completou 15 dias e que a temperatura atual é de 12 graus. “Recebemos o decreto gradativamente de acordo com gravidade de cada região, mas definitivamente para todo o País foi no ultimo dia 10”.

O coordenador técnico do CDM Genova frisou que antes mesmo do decreto oficial, às atividades no clube já haviam sido paralisadas. “Minha equipe foi uma das mais prudentes e conscientes com a situação, antecipando o decreto italiano no dia 6 de março. Nossa partida em casa foi cancelada e a partir de então todas as atividades foram suspensas para o elenco, atendendo as exigências sanitárias até então ainda em discussão”, recordou.

Milton Vaz disse que nenhum atleta ou funcionário do CDM Genova testou positivo para o Coronavírus até o momento. “Graças a Deus não tivemos nenhum caso, pois todas as providências foram tomadas antecipadamente. Todos retornaram aos seus familiares em segurança para cumprirem suas obrigações de reclusão”.

 

Nova rotina – O mariliense falou que neste período de isolamento, somente ele sai de casa para comprar o necessário. “Saio apenas para ir ao mercado e farmácia, que ficam na mesma calçada de casa e funcionam somente de segunda a sexta-feira.

No domingo só sai de casa para jogar o lixo e dar partida no carro, que já esta parado há duas semanas, para manter a bateria carregada”.

Milton comentou que não há falta de produtos nos mercados e farmácias, e que também não há abuso nos preços. “O povo italiano é calejado por conta de tantas situações parecidas ao passar das décadas. Os mercados estão com seus produtos disponíveis e o acesso a eles é feito de forma muito calma e controlada. Sem desespero e com muito respeito, todos aguardam sua vez e executam suas ações da forma que estão sendo exigidas. Os preços tiveram um aumento mínimo”.

Em casa com a família, ele explicou como é a rotina. “Minha esposa e eu estamos trabalhando, eu com o meu seguimento no esporte e ela no turismo. Separamos também um tempo para promover atividades lúdicas e educativas a nossa filha (3 anos). O filho (15 anos) se alterna entre suas atividades educativas e lúdicas online. Também destinamos a ele um período para a realização das atividades físicas e lúdicas, com a irmãzinha dentro de casa”.

Mesmo antes do decreto italiano para as pessoas não saírem de casa, o mariliense afirmou que decidiu não voltar ao Brasil. “Por questão de escolha e segurança nossa e de todos aqueles que temos ou poderíamos ter contatos aí, decidimos não retornar ao Brasil assim como fizeram todos os demais da equipe de futsal. Creio que foi uma decisão acertada e bem coerente com todas as medidas e linha de segurança, que tomamos até o presente momento”.

 

Futsal na Itália – Milton Gomes Vaz está na Itália com a família desde o dia 15 de janeiro deste ano. Até o primeiro semestre de 2019 era técnico e proprietário do time Associação Dionísio Vaz/Marília, mas por falta de apoio e organização das entidades que regem o futsal no Brasil, resolveu retornar à Europa. Além da Itália, ele teve outras experiências na carreira também na França.

“O CDM Genova é uma equipe recém-promovida à ‘Série A’ e disputa a elite pela primeira vez em sua história. Assumi o time em um momento em que estavam precisando de ajuda para entender e atingir o nível exigido pelo campeonato. O clube estava na lanterna, então desenvolvemos um ótimo trabalho e em apenas um mês, conseguimos deixar a última colocação e subir três posições na classificação”, enfatizou o coordenador técnico.

O mariliense ainda não sabe se a competição será retomada. “Se o campeonato retornar estamos prontos, mas pela situação atual é mais provável que permaneça encerrado e nenhuma alteração seja feita em termos de rebaixamento. Porém, ainda existe uma esperança quanto à disputa do titulo pelos primeiros colocados, caso seja retomado em alguma data ainda esse semestre”, finalizou.