COB se coloca a favor do adiamento das Olimpíadas de Tóquio para 2021

Nesta semana, o COI admitiu que “não há solução ideal” para o impasse das Olimpíadas

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) publicou ontem uma nota oficial defendendo o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 para o ano que vem, por conta da pandemia de coronavírus. A entidade acredita que a melhor data para a realização do evento, neste momento, seja “o fim de julho e a primeira quinzena de agosto” de 2021, exatos 12 meses de diferença em relação a data original.

“Como judoca e ex-técnico da modalidade, aprendi que o sonho de todo atleta é disputar os Jogos Olímpicos em suas melhores condições. Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que este sonho seja realizado em sua plenitude”, afirmou Paulo Wanderley, presidente do COB, por meio do comunicado.

Apesar do posicionamento, a organização reitera o apoio ao Comitê Olímpico Internacional (COI), e confia que a melhor decisão será tomada. Nesta semana, o COI admitiu que “não há solução ideal” para o impasse das Olimpíadas, e que vários cenários estão sendo estudados.

O Comitê Olímpico Britânico, nesta quinta-feira, também declarou que não concorda com a realização dos Jogos em meio a crise do COVID-19, e que preza pela saúde de seus atletas. As nadadores Etiene Medeiros e Poliana Okimoto também se pronunciaram a favor do adiamento.

 

Leia a nota oficial do COB na íntegra:

 

O Comitê Olímpico do Brasil defende a transferência dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, em período equivalente ao originalmente marcado, entre o fim de julho e a primeira quinzena de agosto.

A posição do COB se dá por conta do notório agravamento da pandemia do COVID-19, que já infectou 250 mil pessoas em todo o mundo, e pela consequente dificuldade dos atletas de manterem seu melhor nível competitivo pela necessidade de paralisação dos treinos e competições em escala global.

“Como judoca e ex-técnico da modalidade, aprendi que o sonho de todo atleta é disputar os Jogos Olímpicos em suas melhores condições. Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que este sonho seja realizado em sua plenitude”, afirma o presidente do COB, Paulo Wanderley, que comandou a seleção brasileira em Barcelona 1992.

O COB ressalta que a sugestão de adiamento em nada altera a confiança da entidade no Comitê Olímpico Internacional (COI) de que a melhor solução para o Olimpismo será tomada.

“O COI já passou por problemas imensos anteriormente, como nos episódios que culminaram no cancelamento dos Jogos de 1916, 1940 e 1944, por conta das Guerras Mundiais, e nos boicotes de Moscou 1980 e Los Angeles 1984. A entidade soube ultrapassar estes obstáculos, e vemos a Chama Olímpica mais forte do que nunca. Tenho certeza de que o Thomas Bach, atleta medalha de ouro em Montreal 1976, está plenamente preparado para nos liderar neste momento de dificuldade”, completa Paulo Wanderley.

 

Desde o início da pandemia, o COB tem priorizado a saúde e o bem-estar dos atletas brasileiros e colaboradores do Comitê. Ha uma semana, a entidade cancelou eventos públicos e preparatórios para os Jogos e determinou na terça-feira o fechamento total do CT Time Brasil.