Editorial

Na contramão

 

O Brasil é um país de terceiro mundo, que muita gente costuma chamar de ‘país em desenvolvimento”. Isso já faz tempo e o que se tem visto é que por aqui tudo demora demais. Parece que faz parte da índole do brasileiro, acostumado ao “jeitinho”, “deixa para amanhã”, “logo tudo vai mudar” e tantas outras desculpas.

Isso é cultural! Temos uma grande parte da população que vive ligada na velha história do país do futebol e do samba, mas com educação em baixa e saúde na latrina. E assim as pessoas vão levando a vida e se acostumando ao descaso, à falta de cultura, de informação e se divertindo com os festivais de besteiras que assolam o país, seja na televisão, no rádio, na Internet com as redes sociais, na música com o baixo nível das produções, do funk à sofrência!

Isso tudo está pesando agora na hora de entender e assimilar a gravidade de uma pandemia, mesmo com os exemplos escancarados de outros países como a China, Espanha, Portugal, França e Itália. Então se fica imaginando que a tragédia por aqui será bem maior levando-se em conta a falta de educação, a negligência, irresponsabilidade e falta de compromisso de grande parte da população e também dos políticos, a começar pelo governo federal. O País não tem histórico de guerras e pandemias como a Europa, por isso mesmo não dá a devida importância à tragédia que se aproxima.

Medidas rigorosas, drásticas, extremas já deveriam ter sido tomadas para fazer diminuir o estrago com a pandemia que já atinge o Brasil e que será avassaladora nos próximos meses. A última previsão de autoridades da saúde é que a curva na descendência deverá acontecer apenas em setembro. Será um número elevado de infectados, de doentes e, principalmente, de mortos pelo coronavírus.

Os governadores de São Paulo, João Dória e do Rio de Janeiro Wilson Witzel tomaram as primeiras iniciativas fortes para frear a disseminação do vírus. Mas falta pulso e coragem para o presidente da República que vem ignorando a gravidade da situação que ele já chamou de “histeria”, além de ter viajado desnecessariamente para os Estados Unidos, tendo provocado a infecção de 22 pessoas. O próprio presidente estaria com o coronavírus e os testes teriam dado negativo. Há quem duvide, mas ele pode ter o vírus incubado e estar espalhando a doença. “Chegou a dizer que uma “gripezinha” não vai derrubá-lo!

O pior é que tem feito críticas aos governadores e prefeitos que tomaram decisões importantes para barrar a disseminação do vírus, inclusive fechando praias, impedindo ônibus de turismo, como tem acontecido no Paraná e Santa Catarina.

Parece que Jair Bolsonaro se encaixa no grande rol dos ignorantes, incapazes de enxergar a gravidade da situação, ao ponto de continuar falando asneiras, como na entrevista veiculada na noite da sexta-feira (20) no SBT, criticando medidas adotadas por autoridades estaduais e municipais como o fechamento de igrejas durante a pandemia do coronavírus. "Muita gente para dar satisfação ao seu eleitorado toma providências absurdas. Fechando shopping, tem gente que quer fechar igreja, que é o último refúgio das pessoas", declarou o presidente ao apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho.                     

O prejuízo político de Bolsonaro será inevitável como a pandemia. Mas o pior é que ele poderá ser responsabilizado caso o País registre uma tragédia como acontece hoje na Itália. Política não se mistura com saúde!